Com R$ 56 bilhões previstos para o Fundo Social em 2027, o desafio é garantir que o lucro do pré-sal não se perca na burocracia e finalmente combata o déficit habitacional e o abandono da saúde.
Por:
Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais
| Mais de R$ 31 bi para casas e energia limpa. |
É revoltante
pensar que vivemos sobre uma das maiores riquezas do mundo, o pré-sal, enquanto
milhões de brasileiros ainda lutam por um teto digno. Dos R$ 56,4 bilhões
previstos, a maior parte, R$ 31,8 bilhões, será destinada para habitação e
energia limpa. Isso é o mínimo. A moradia popular não é apenas um prédio de
concreto; é o resgate da dignidade humana e o combate direto à violência que se
alimenta da falta de estrutura das nossas periferias.
Na outra
ponta, os R$ 24,6 bilhões para saúde e educação são fundamentais, mas o
histórico de gestão pública no Brasil nos obriga a manter os olhos abertos. Não
basta o dinheiro existir no papel do Diário Oficial; ele precisa se transformar
em escolas de tempo integral e hospitais equipados. O Fundo Social foi criado
justamente para que a exploração de combustíveis fósseis não servisse apenas
para engordar o bolso de acionistas, mas para pagar a dívida histórica que o
Estado tem com as populações vulneráveis.
O que vemos hoje é uma oscilação constante nesses valores. Se em 2026 o teto subiu para R$ 63,2 bilhões por causa da demanda do Minha Casa, Minha Vida, por que para 2027 a previsão já recua para R$ 56,4 bilhões? A política habitacional e de saúde não pode ser tratada como um ioiô financeiro que sobe e desce ao sabor das conveniências do mercado ou da arrecadação momentânea do petróleo.
Para que esse montante de R$ 56,4 bilhões não seja apenas um número bonito em ano pré-eleitoral, a solução passa obrigatoriamente pela criação de conselhos populares de fiscalização que acompanhem cada centavo desse fundo. Precisamos de transparência total: o cidadão comum deve saber quanto desse dinheiro do petróleo está de fato chegando ao seu município para construir a casa própria ou melhorar o posto de saúde. A pergunta que deixo para os governantes é: como vocês vão garantir que o lucro do petróleo não escorra pelo ralo da corrupção ou da má gestão antes de chegar à mesa do trabalhador?




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