quinta-feira, 11 de junho de 2026

A RIQUEZA DO PETRÓLEO PRECISA CHEGAR NO TETO E NO PRATO DE QUEM MAIS PRECISA

Com R$ 56 bilhões previstos para o Fundo Social em 2027, o desafio é garantir que o lucro do pré-sal não se perca na burocracia e finalmente combata o déficit habitacional e o abandono da saúde.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais

Mais de R$ 31 bi para casas e energia limpa.
Anunciar bilhões em recursos para o futuro é fácil; difícil é garantir que esse dinheiro mude a vida da dona de casa que mora em área de risco em São Luís ou que espera meses por uma consulta no SUS. A aprovação do Plano Anual de Aplicação de Recursos do Fundo Social para 2027, prevendo R$ 56,4 bilhões, é um passo importante, mas precisamos falar a verdade: o povo tem pressa e não pode viver apenas de projeções orçamentárias.

É revoltante pensar que vivemos sobre uma das maiores riquezas do mundo, o pré-sal, enquanto milhões de brasileiros ainda lutam por um teto digno. Dos R$ 56,4 bilhões previstos, a maior parte, R$ 31,8 bilhões, será destinada para habitação e energia limpa. Isso é o mínimo. A moradia popular não é apenas um prédio de concreto; é o resgate da dignidade humana e o combate direto à violência que se alimenta da falta de estrutura das nossas periferias.

Na outra ponta, os R$ 24,6 bilhões para saúde e educação são fundamentais, mas o histórico de gestão pública no Brasil nos obriga a manter os olhos abertos. Não basta o dinheiro existir no papel do Diário Oficial; ele precisa se transformar em escolas de tempo integral e hospitais equipados. O Fundo Social foi criado justamente para que a exploração de combustíveis fósseis não servisse apenas para engordar o bolso de acionistas, mas para pagar a dívida histórica que o Estado tem com as populações vulneráveis.

O que vemos hoje é uma oscilação constante nesses valores. Se em 2026 o teto subiu para R$ 63,2 bilhões por causa da demanda do Minha Casa, Minha Vida, por que para 2027 a previsão já recua para R$ 56,4 bilhões? A política habitacional e de saúde não pode ser tratada como um ioiô financeiro que sobe e desce ao sabor das conveniências do mercado ou da arrecadação momentânea do petróleo.

Para que esse montante de R$ 56,4 bilhões não seja apenas um número bonito em ano pré-eleitoral, a solução passa obrigatoriamente pela criação de conselhos populares de fiscalização que acompanhem cada centavo desse fundo. Precisamos de transparência total: o cidadão comum deve saber quanto desse dinheiro do petróleo está de fato chegando ao seu município para construir a casa própria ou melhorar o posto de saúde. A pergunta que deixo para os governantes é: como vocês vão garantir que o lucro do petróleo não escorra pelo ralo da corrupção ou da má gestão antes de chegar à mesa do trabalhador?

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