A guerra aberta entre Carlos Brandão e Felipe Camarão transforma o Maranhão em um laboratório de lawfare paroquial e heranças dinistas em chamas.
Por: Altair Inácio
Jornalista e Colunista
A guerra entre Brandão e Camarão é o novo
capítulo
do nosso velho coronelismo 2.0.
No teatro político do Maranhão, as cortinas de veludo do Palácio dos Leões nunca esconderam tão mal as adagas desembainhadas nos bastidores. O que antes era vendido como uma sucessão natural e harmoniosa entre o pragmatismo de Carlos Brandão e o entusiasmo dinista de Felipe Camarão, converteu-se em um espetáculo de canibalismo político que faria Maquiavel pedir moderação. A ruptura, agora oficializada por acusações de 'golpe' e 'perseguição', revela que a tal 'unidade' proclamada nos palanques de 2022 era apenas um contrato de aluguel com prazo de validade vencido.
O roteiro da
'fritura' de Felipe Camarão segue a cartilha clássica da política maranhense:
quando não se pode derrotar o aliado no voto, utiliza-se o braço jurídico como
porrete. O pedido de afastamento do vice-governador pelo Ministério Público,
sob alegações de movimentações financeiras atípicas, soa, para qualquer
observador minimamente atento, como uma sinfonia regida a partir das janelas do
Palácio. É a ironia suprema da política: Camarão, o herdeiro ungido por Flávio
Dino, agora se vê emparedado por uma CPI na Assembleia Legislativa, enquanto
Brandão assiste a tudo com o silêncio obsequioso de quem já escolheu seu
próprio sangue — no caso, o sobrinho Orleans — para sentar-se ao trono.
A decisão de
Brandão de não desincompatibilizar do cargo para o Senado em 2026 é o
xeque-mate na esperança petista de assumir o governo. Ao permanecer na cadeira,
o governador não apenas trava a ascensão de seu vice, mas também blinda a si
mesmo de investigações que batem às portas do STF sob a relatoria de Alexandre
de Moraes. O embate jurídico é, no fundo, uma guerra de sobrevivência: de um
lado, o medo do nepotismo cruzado ser punido pela 'toga'; de outro, a tentativa
desesperada de um grupo político de não ser varrido do mapa pelo avanço do 'brandonismo'
em sua face mais oligárquica.
Enquanto isso, em Brasília, o ministro Flávio Dino assiste ao desmoronamento de seu legado político local com a elegância de quem trocou a arena pelo Olimpo, mas com a amargura de quem vê seus pupilos sendo devorados por quem ele mesmo colocou no poder. O PT de Lula, por sua vez, ensaia um 'Plano B' com André Fufuca, tentando apagar o incêndio com gasolina. A verdade é que o Maranhão parece ter voltado a um tempo onde o sobrenome e o controle da máquina valem mais do que qualquer projeto ideológico. A 'mudança' prometida há uma década hoje se resume a uma disputa de nomes para ver quem herda as chaves dos cofres.
O que sobra para o cidadão maranhense nesse banquete de vaidades? O espetáculo deplorável de ver as instituições do Estado — do Ministério Público à Assembleia Legislativa — instrumentalizadas para uma briga de poder paroquial. Enquanto Brandão e Camarão trocam farpas sobre quem é o verdadeiro traidor, o estado continua liderando índices de pobreza que nenhum marketing governamental consegue esconder. No Maranhão de 2026, a política não é sobre o povo; é sobre quem terá o direito de não ser preso primeiro ou quem conseguirá manter a família no diário oficial por mais uma geração.




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