quinta-feira, 11 de junho de 2026

COMO AS REDES SOCIAIS SEQUESTRARAM A POLÍTICA NO MARANHÃO

O embate entre likes e realidade define o novo cenário de poder em São Luís.

Por: Emerson Marinho
Analista de política e cotidiano popular

A política mudou de endereço e agora mora definitivamente na tela do seu celular. O que antes se resolvia em gabinetes fechados ou em comícios de praça, agora explode nos comentários do Instagram e do X. A briga desenfreada por engajamento dita o ritmo das decisões públicas e das alianças no Maranhão. O político que ignora a força do algoritmo hoje, fatalmente estará fora do jogo eleitoral amanhã.

Vemos uma febre de vídeos curtos que buscam a lacração imediata em vez de explicações técnicas sobre gestão. O problema central dessa tendência é que a administração pública não cabe em um corte de trinta segundos com música de impacto. Enquanto os números de visualizações sobem, os problemas estruturais de São Luís continuam nos mesmos lugares. A estética do vídeo bem editado venceu, por ora, o conteúdo do projeto político.

As crises de imagem se tornaram o maior pesadelo dos prefeitos, vereadores e deputados da nossa região. Um deslize gravado por um popular na rua vira munição instantânea nas mãos da oposição digital. A velocidade da informação não permite mais o tempo de resposta do jornalismo tradicional ou do horário eleitoral. Ou o político responde em minutos, ou a narrativa negativa já está consolidada pelo tribunal implacável da internet.

Existe hoje uma clara disputa de versões onde a verdade factual acaba sendo o que menos importa para os grupos envolvidos. No Maranhão, os grupos políticos utilizam exércitos digitais para inflar polêmicas irrelevantes e atacar a honra de adversários. Esse movimento cria bolhas onde o eleitor consome apenas o que reforça o que ele já acredita. A política local virou um Fla-Flu digital constante, cansativo e muitas vezes vazio de soluções.

A figura do influenciador digital entrou definitivamente no centro da estratégia de comunicação dos governantes. Não se trata mais apenas de publicidade oficial nos canais de TV, mas de quem consegue pautar a conversa no grupo de WhatsApp da família. Políticos de São Luís buscam parcerias constantes com criadores de conteúdo para tentar humanizar suas figuras públicas. Essa mistura perigosa entre entretenimento e seriedade é o novo normal das campanhas modernas.

O perigo surge quando a polêmica vazia substitui completamente o debate de ideias sobre o futuro da cidade. Vemos discussões acaloradas sobre comportamento ou falas fora de contexto, enquanto a saúde e a educação ficam em segundo plano na timeline. O eleitor médio se distrai com a briga do dia e esquece de cobrar o asfalto na porta de casa ou o remédio no posto. As redes sociais funcionam hoje como uma cortina de fumaça tecnológica muito eficiente.

As prefeituras e órgãos públicos gastam fortunas com equipes de marketing para monitorar cada menção nas redes. O foco mudou da entrega do serviço para a percepção de que o serviço está sendo feito para gerar fotos. Se a postagem no Instagram teve um bom alcance e os comentários são positivos, parece que o problema social foi resolvido. Mas a realidade dura das ruas sempre acaba batendo na porta de quem governa apenas para o feed.

Precisamos urgentemente separar o barulho digital da entrega real de resultados práticos para a população maranhense. O cidadão deve aprender a filtrar o que é conteúdo fabricado por agências e o que é política pública de verdade. A solução prática é cobrar que o mesmo vigor usado nas redes sociais seja aplicado na solução dos problemas históricos de São Luís. Menos filtro, menos briga por curtida e muito mais trabalho é o único caminho viável.

0 comentários:

Postar um comentário

Buscar no Site