O embate entre likes e realidade define o novo cenário de poder em São Luís.
Analista de política e cotidiano popular
Vemos uma
febre de vídeos curtos que buscam a lacração imediata em vez de explicações
técnicas sobre gestão. O problema central dessa tendência é que a administração
pública não cabe em um corte de trinta segundos com música de impacto. Enquanto
os números de visualizações sobem, os problemas estruturais de São Luís
continuam nos mesmos lugares. A estética do vídeo bem editado venceu, por ora,
o conteúdo do projeto político.
As crises de
imagem se tornaram o maior pesadelo dos prefeitos, vereadores e deputados da
nossa região. Um deslize gravado por um popular na rua vira munição instantânea
nas mãos da oposição digital. A velocidade da informação não permite mais o
tempo de resposta do jornalismo tradicional ou do horário eleitoral. Ou o
político responde em minutos, ou a narrativa negativa já está consolidada pelo
tribunal implacável da internet.
Existe hoje
uma clara disputa de versões onde a verdade factual acaba sendo o que menos
importa para os grupos envolvidos. No Maranhão, os grupos políticos utilizam
exércitos digitais para inflar polêmicas irrelevantes e atacar a honra de
adversários. Esse movimento cria bolhas onde o eleitor consome apenas o que
reforça o que ele já acredita. A política local virou um Fla-Flu digital
constante, cansativo e muitas vezes vazio de soluções.
A figura do
influenciador digital entrou definitivamente no centro da estratégia de comunicação
dos governantes. Não se trata mais apenas de publicidade oficial nos canais de
TV, mas de quem consegue pautar a conversa no grupo de WhatsApp da família.
Políticos de São Luís buscam parcerias constantes com criadores de conteúdo
para tentar humanizar suas figuras públicas. Essa mistura perigosa entre
entretenimento e seriedade é o novo normal das campanhas modernas.
O perigo
surge quando a polêmica vazia substitui completamente o debate de ideias sobre
o futuro da cidade. Vemos discussões acaloradas sobre comportamento ou falas
fora de contexto, enquanto a saúde e a educação ficam em segundo plano na
timeline. O eleitor médio se distrai com a briga do dia e esquece de cobrar o
asfalto na porta de casa ou o remédio no posto. As redes sociais funcionam hoje
como uma cortina de fumaça tecnológica muito eficiente.
As prefeituras e órgãos públicos gastam fortunas com equipes de marketing para monitorar cada menção nas redes. O foco mudou da entrega do serviço para a percepção de que o serviço está sendo feito para gerar fotos. Se a postagem no Instagram teve um bom alcance e os comentários são positivos, parece que o problema social foi resolvido. Mas a realidade dura das ruas sempre acaba batendo na porta de quem governa apenas para o feed.
Precisamos urgentemente separar o barulho digital da entrega real de resultados práticos para a população maranhense. O cidadão deve aprender a filtrar o que é conteúdo fabricado por agências e o que é política pública de verdade. A solução prática é cobrar que o mesmo vigor usado nas redes sociais seja aplicado na solução dos problemas históricos de São Luís. Menos filtro, menos briga por curtida e muito mais trabalho é o único caminho viável.




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