Enquanto grandes plataformas lucram bilhões, o trabalhador de São Luís enfrenta a fome e a falta de garantias mínimas de sobrevivência.
Por:
Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais
| Trabalhar até a exaustão sem direitos não é liberdade. |
A reforma
trabalhista, vendida anos atrás como a solução mágica para o desemprego,
mostrou sua verdadeira face: uma máquina de triturar direitos. Prometeram
empregos e entregaram o 'bico' institucionalizado. O resultado é uma
insegurança jurídica e social que atinge violentamente a base da nossa pirâmide.
No Maranhão, onde a desigualdade histórica já é um fardo pesado, a falta de
políticas públicas que protejam o trabalhador informal aprofunda ainda mais a
ferida da fome e da exclusão social.
É preciso
olhar com atenção para quem mais sofre nesse cenário: as mulheres e as
populações negras. São elas que ocupam os postos mais frágeis, que acumulam
jornadas duplas ou triplas e que, ao final do mês, ainda precisam escolher
entre pagar a conta de luz ou comprar o leite das crianças. A ausência de
creches públicas e de uma rede de apoio eficiente em nossa capital torna o
mercado de trabalho um ambiente de exclusão, e não de oportunidade, para quem
realmente carrega o país nas costas.
O silêncio das autoridades de Brasília e a lentidão do poder público local em fiscalizar abusos são cúmplices dessa exploração. Não se trata apenas de economia, trata-se de dignidade humana. Quando um trabalhador é tratado como um mero 'recurso' descartável por um algoritmo, a democracia é que sai ferida. A tecnologia deveria servir para emancipar o ser humano, não para escravizá-lo em uma rotina de incertezas onde o amanhã é sempre um ponto de interrogação desesperador.
A solução passa obrigatoriamente pela regulação imediata do trabalho por aplicativos e pelo fortalecimento dos sindicatos, que precisam se reinventar para proteger esses novos perfis de trabalhadores. Precisamos de um Pacto Social que garanta uma renda mínima de cidadania e proteção previdenciária universal. A pergunta que deixo para os nossos governantes é: até quando vamos assistir, de braços cruzados, a volta de uma relação de trabalho que beira a servidão em pleno século XXI?




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