sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A DIREITA EM TRANSE E A DEMOCRACIA NO ALVO

A democracia respira por aparelhos. 

A persistência do radicalismo e a arte de transformar o ódio em capital político no Brasil contemporâneo.

Assistimos hoje a um espetáculo deprimente de cinismo político que se recusa a sair de cartaz. A extrema-direita brasileira, que outrora se escondia em porões nostálgicos da ditadura, agora desfila à luz do dia, travestida de um liberalismo de conveniência que só defende a liberdade para quem concorda com seus dogmas.

É curioso notar como o discurso da família e dos bons costumes desmorona na primeira investigação oficial, revelando um submundo de milícias digitais e desvios éticos que envergonhariam até os políticos mais calejados da velha guarda. O método é tão velho quanto a própria demagogia: criar um inimigo imaginário para desviar o foco da incompetência administrativa e da ausência de projetos reais para o povo.

Enquanto o país tenta se reconstruir das cinzas de uma gestão negacionista, as hordas bolsonaristas continuam a operar em um universo paralelo, onde fatos são meras opiniões e o Judiciário é o grande vilão por simplesmente fazer cumprir a Constituição. A ironia reside no fato de que aqueles que mais gritam por liberdade são os primeiros a aplaudir o cerceamento de direitos de minorias e a militarização da vida pública como solução para dilemas sociais complexos. Não se enganem com a aparente calmaria de alguns setores; o radicalismo apenas mudou de pele para tentar sobreviver ao escrutínio das instituições.

A estratégia agora é a institucionalização do caos, infiltrando-se em instâncias legislativas para minar as bases da democracia por dentro. O jornalista atento percebe que o financiamento desse movimento não vem do povo, mas de setores que lucram com a desregulamentação e o desmonte do estado de bem-estar social, usando a pauta de costumes como uma cortina de fumaça eficaz para esconder interesses puramente mercadológicos.

Portanto, a luta pela justiça social e pela preservação democrática exige mais do que indignação de rede social; exige memória e coragem para confrontar o autoritarismo em todas as suas nuances. O Brasil não pode se dar ao luxo de esquecer as tentativas de golpe e as investidas contra o sistema eleitoral sob o pretexto de um patriotismo de vitrine que só serve a um único líder. A democracia é um músculo que atrofia se não for exercitado, e cabe a nós, cidadãos e profissionais da informação, garantir que o sol da transparência continue a incomodar os que preferem as sombras do autoritarismo.

Por: Altair Inácio
Jornalista e Colunista

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