| A Economia Real versus a Narrativa do Mercado |
Por: Henrique Alvarenga
Jornalista, analista político e colunista
Aqui é onde
a narrativa começa a escorregar. O dado sobre o crescimento da dívida de fato
existe, mas o contexto foi omitido. O principal vetor desse aumento não é o
investimento em programas sociais, como muitos analistas sugerem, mas sim o
custo astronômico da taxa Selic. Manter os juros em patamares elevados encarece
exponencialmente o serviço da dívida pública. Além disso, o país ainda lida com
o peso de passivos fiscais herdados de gestões anteriores, um fator estrutural
que é convenientemente ignorado quando o objetivo é pressionar o atual governo
por cortes de gastos.
O mercado
financeiro insiste na tese de que o governo precisa equilibrar as contas apenas
pelo lado do corte, enquanto o Executivo trata esses aportes como investimento
social necessário para o desenvolvimento humano e econômico. O que se omite é
que, mesmo com prognósticos favoráveis e inflação dentro da meta, a resistência
em reduzir os juros de forma robusta desafia a lógica produtiva. Alega-se que o
baixo desemprego e o aumento dos salários poderiam gerar inflação, uma visão
que, na prática, pune a melhoria da qualidade de vida do trabalhador em
benefício da rentabilidade do capital especulativo.
A manutenção de uma taxa de juros punitiva diante de um cenário de crescimento e estabilidade cambial revela que a preocupação do mercado não é apenas técnica, mas política. É por isso que importa questionar a quem serve a manutenção de um país caro para quem produz e extremamente lucrativo para quem vive de juros. A informação honesta exige que coloquemos todos os componentes da equação sobre a mesa, e não apenas aqueles que justificam a austeridade seletiva.




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