sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A REFORMA TRIBUTÁRIA E O PRATO DO BRASILEIRO

O Impacto da Reforma Tributária na cesta básica
Um exame sobre as isenções da cesta básica e o impacto real na segurança alimentar das famílias de baixa renda.

Vamos separar o que aconteceu do que estão dizendo que aconteceu. A regulamentação da Reforma Tributária, por meio do PLP 68/2024, introduziu a Cesta Básica Nacional com alíquota zero para itens essenciais. Do ponto de vista institucional, essa medida busca alinhar o sistema tributário brasileiro — historicamente regressivo e que penaliza proporcionalmente mais quem ganha menos — com o direito constitucional à alimentação. A proposta não é apenas uma mudança de números, mas uma tentativa de corrigir distorções que fazem com que o arroz e o feijão carreguem uma carga tributária similar a produtos de luxo em certas cadeias de consumo.

Aqui é onde a narrativa começa a escorregar: muitos setores tentam incluir produtos ultraprocessados no rol de isenções sob o pretexto de baratear a dieta popular. No entanto, a segurança alimentar pressupõe qualidade nutricional. O dado existe, mas o contexto foi omitido quando se ignora que o incentivo ao consumo de alimentos prejudiciais à saúde sobrecarrega o SUS no longo prazo. Portanto, a discussão técnica deve prevalecer sobre o lobby setorial, garantindo que o benefício fiscal chegue efetivamente aos alimentos que compõem a dieta saudável do brasileiro, como proteínas, grãos e hortifrutis.

Outro ponto fundamental é o mecanismo de cashback, que prevê a devolução de parte do imposto pago por famílias inscritas no CadÚnico. Isso não é mentira completa, é distorção estratégica quando críticos afirmam que o sistema será burocrático demais para funcionar. Países que adotaram modelos similares mostram que a tecnologia permite uma devolução eficiente, atacando diretamente a desigualdade social.

A segurança alimentar, portanto, passa por um sistema que não apenas desonera o consumo, mas que também redistribui a riqueza de forma pedagógica. Pensar dá trabalho — e é justamente por isso que importa. Informação não é torcida e precisamos vigiar para que o texto final da reforma não seja desidratado por interesses que não refletem a necessidade das mesas brasileiras. A justiça fiscal é o primeiro passo para erradicar a fome de forma estrutural e racional.

Por: Henrique Alvarenga.
Jornalista, analista político e colunista
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