| A rede pública protege a todos, sem distinção. |
O debate
sobre a eficiência do Estado frequentemente coloca o SUS - Sistema Único de
Saúde em xeque. Críticas de correntes conservadoras focam em filas e gargalos
administrativos, mas ignoram a rede de proteção que sustenta a vida cotidiana
de todos os brasileiros. O sistema atende desde o pré-natal até o transplante
de órgãos, funcionando como uma engrenagem vital para a estrutura social e
econômica do país. A vacinação é o exemplo mais visível da abrangência pública
em território nacional. Da infância à fase adulta, a imunização protege milhões
contra doenças erradicadas, como a poliomielite.
A OMS -
Organização Mundial da Saúde aponta o Brasil como referência internacional em
imunização em massa, garantindo que patógenos graves não circulem livremente na
população. O programa Farmácia Popular permite que cidadãos retirem
medicamentos gratuitos para diabetes e hipertensão em estabelecimentos
conveniados. Essa parceria reduz drasticamente o custo de vida das famílias e
evita complicações agudas que sobrecarregariam o sistema hospitalar secundário.
O acesso ao remédio é um direito fundamental assegurado pela logística federal
e municipal em larga escala.
Poucos
percebem a mão do Estado ao consumir alimentos em restaurantes ou comprar água
mineral. A Vigilância Sanitária e os órgãos de fiscalização de água e esgoto
pertencem à estrutura capilarizada do sistema público. Essas frentes evitam
epidemias de origem hídrica ou alimentar, atuando de forma preventiva e
silenciosa em todo o setor de serviços. Em momentos de crise extrema, como
acidentes de trânsito em rodovias, o SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de
Urgência opera de forma gratuita e universal.
O
atendimento inicial de emergência não seleciona classe social nem ideologia
política para salvar vidas no asfalto. O serviço público de urgência permanece
como o porto seguro para qualquer cidadão em situação de vulnerabilidade
imediata. Dados do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada sugerem que
o investimento em saúde gera um retorno social superior ao gasto nominal em
infraestrutura. O imposto pago pelo contribuinte retorna em forma de aumento da
expectativa de vida e maior produtividade da força de trabalho. Defender o
financiamento público é, portanto, uma estratégia racional de desenvolvimento
econômico sustentável e humano.
A crítica
liberal deve focar no aprimoramento da gestão e na transparência dos gastos,
sem pregar o desmonte da estrutura. O modelo universal de saúde reduz
desigualdades históricas e oferece uma rede de segurança mínima indispensável
em um país continental. A eficiência operacional será o norte para que os
recursos cheguem à ponta do atendimento com agilidade e precisão técnica. A
solução reside no aumento progressivo do orçamento federal destinado à saúde e
na digitalização total da rede para otimizar a triagem. O fortalecimento da
atenção básica reduzirá a pressão sobre os grandes hospitais, tornando o sistema
mais fluido e eficaz. É dever de cada cidadão fiscalizar e exigir que o SUS
receba os aportes necessários para garantir a sua plena e eficiente
abrangência.
Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista




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