terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A ONIPRESENÇA INVISÍVEL DO SUS

A rede pública protege a todos, sem distinção.

 O sistema público de saúde brasileiro garante segurança sanitária básica mesmo para quem defende o fim do investimento estatal.

O debate sobre a eficiência do Estado frequentemente coloca o SUS - Sistema Único de Saúde em xeque. Críticas de correntes conservadoras focam em filas e gargalos administrativos, mas ignoram a rede de proteção que sustenta a vida cotidiana de todos os brasileiros. O sistema atende desde o pré-natal até o transplante de órgãos, funcionando como uma engrenagem vital para a estrutura social e econômica do país. A vacinação é o exemplo mais visível da abrangência pública em território nacional. Da infância à fase adulta, a imunização protege milhões contra doenças erradicadas, como a poliomielite.

A OMS - Organização Mundial da Saúde aponta o Brasil como referência internacional em imunização em massa, garantindo que patógenos graves não circulem livremente na população. O programa Farmácia Popular permite que cidadãos retirem medicamentos gratuitos para diabetes e hipertensão em estabelecimentos conveniados. Essa parceria reduz drasticamente o custo de vida das famílias e evita complicações agudas que sobrecarregariam o sistema hospitalar secundário. O acesso ao remédio é um direito fundamental assegurado pela logística federal e municipal em larga escala.

Poucos percebem a mão do Estado ao consumir alimentos em restaurantes ou comprar água mineral. A Vigilância Sanitária e os órgãos de fiscalização de água e esgoto pertencem à estrutura capilarizada do sistema público. Essas frentes evitam epidemias de origem hídrica ou alimentar, atuando de forma preventiva e silenciosa em todo o setor de serviços. Em momentos de crise extrema, como acidentes de trânsito em rodovias, o SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência opera de forma gratuita e universal.

O atendimento inicial de emergência não seleciona classe social nem ideologia política para salvar vidas no asfalto. O serviço público de urgência permanece como o porto seguro para qualquer cidadão em situação de vulnerabilidade imediata. Dados do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada sugerem que o investimento em saúde gera um retorno social superior ao gasto nominal em infraestrutura. O imposto pago pelo contribuinte retorna em forma de aumento da expectativa de vida e maior produtividade da força de trabalho. Defender o financiamento público é, portanto, uma estratégia racional de desenvolvimento econômico sustentável e humano.

A crítica liberal deve focar no aprimoramento da gestão e na transparência dos gastos, sem pregar o desmonte da estrutura. O modelo universal de saúde reduz desigualdades históricas e oferece uma rede de segurança mínima indispensável em um país continental. A eficiência operacional será o norte para que os recursos cheguem à ponta do atendimento com agilidade e precisão técnica. A solução reside no aumento progressivo do orçamento federal destinado à saúde e na digitalização total da rede para otimizar a triagem. O fortalecimento da atenção básica reduzirá a pressão sobre os grandes hospitais, tornando o sistema mais fluido e eficaz. É dever de cada cidadão fiscalizar e exigir que o SUS receba os aportes necessários para garantir a sua plena e eficiente abrangência.

Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista

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