segunda-feira, 11 de maio de 2026

A CORTINA DE FUMAÇA QUE PROTEGE OS PODEROSOS

Enquanto o sigilo é a regra nos gabinetes, o povo de São Luís e do Brasil paga a conta da falta de controle social.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais

Sem transparência, a corrupção
e a desigualdade só aumentam.
É inadmissível que, em pleno século XXI, a transparência pública ainda seja tratada por muitos gestores como um favor concedido à população, e não como um dever constitucional inegociável. O que vemos em diversas esferas do poder, de Brasília às câmaras municipais, é o uso de mecanismos obscuros para esconder como e onde o dinheiro do contribuinte está sendo aplicado. O abuso de poder floresce justamente onde a luz da fiscalização não alcança, criando um terreno fértil para privilégios que aprofundam o abismo social brasileiro.

Em São Luís, assim como em tantas outras capitais, o acesso à informação muitas vezes esbarra em sites oficiais confusos e dados incompletos que parecem desenhados para desestimular o cidadão comum. Quando o poder público dificulta o entendimento de seus atos, ele está, na prática, silenciando a democracia. O orçamento público não é uma caixa preta; ele é fruto do suor de milhões de trabalhadores que têm o direito soberano de saber se o recurso está indo para a saúde básica ou se está sendo drenado por esquemas de favorecimento político.

O abuso de poder não se manifesta apenas na violência direta, mas também na omissão deliberada. Cada licitação sem transparência e cada gasto com publicidade institucional que mascara crises sociais são formas de violência contra a população vulnerável. Enquanto faltam insumos nos hospitais e vagas nas creches, o 'balcão de negócios' da política opera nas sombras, alimentado pela falta de prestação de contas rigorosa. A política sem transparência é uma arma apontada contra o futuro do povo.

Precisamos romper com a cultura do sigilo que protege elites políticas e econômicas. Não basta ter leis como a Lei de Acesso à Informação (LAI) se os governantes encontram atalhos para ignorá-la ou responder com evasivas. A verdadeira democracia exige que o cidadão tenha a lupa na mão e que cada centavo gasto seja rastreável em tempo real. Sem isso, as promessas de justiça social não passam de retórica vazia para ganhar voto em época de eleição.

A solução passa obrigatoriamente pelo fortalecimento dos conselhos municipais e pela digitalização integral e simplificada das contas públicas, garantindo que qualquer cidadão consiga fiscalizar o governo pelo celular. É preciso também punir severamente gestores que sonegam informações. O questionamento que fica para todos nós é: até quando aceitaremos que o nosso dinheiro seja gerido como se fosse propriedade particular de quem ocupa o cargo? A fiscalização é o único remédio contra o autoritarismo administrativo.

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