Enquanto o sigilo é a regra nos gabinetes, o povo de São Luís e do Brasil paga a conta da falta de controle social.
Por:
Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais
| Sem transparência, a corrupção e a desigualdade só aumentam. |
Em São Luís,
assim como em tantas outras capitais, o acesso à informação muitas vezes
esbarra em sites oficiais confusos e dados incompletos que parecem desenhados
para desestimular o cidadão comum. Quando o poder público dificulta o
entendimento de seus atos, ele está, na prática, silenciando a democracia. O
orçamento público não é uma caixa preta; ele é fruto do suor de milhões de
trabalhadores que têm o direito soberano de saber se o recurso está indo para a
saúde básica ou se está sendo drenado por esquemas de favorecimento político.
O abuso de
poder não se manifesta apenas na violência direta, mas também na omissão deliberada.
Cada licitação sem transparência e cada gasto com publicidade institucional que
mascara crises sociais são formas de violência contra a população vulnerável.
Enquanto faltam insumos nos hospitais e vagas nas creches, o 'balcão de
negócios' da política opera nas sombras, alimentado pela falta de prestação de
contas rigorosa. A política sem transparência é uma arma apontada contra o
futuro do povo.
Precisamos romper com a cultura do sigilo que protege elites políticas e econômicas. Não basta ter leis como a Lei de Acesso à Informação (LAI) se os governantes encontram atalhos para ignorá-la ou responder com evasivas. A verdadeira democracia exige que o cidadão tenha a lupa na mão e que cada centavo gasto seja rastreável em tempo real. Sem isso, as promessas de justiça social não passam de retórica vazia para ganhar voto em época de eleição.
A solução passa obrigatoriamente pelo fortalecimento dos conselhos municipais e pela digitalização integral e simplificada das contas públicas, garantindo que qualquer cidadão consiga fiscalizar o governo pelo celular. É preciso também punir severamente gestores que sonegam informações. O questionamento que fica para todos nós é: até quando aceitaremos que o nosso dinheiro seja gerido como se fosse propriedade particular de quem ocupa o cargo? A fiscalização é o único remédio contra o autoritarismo administrativo.




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