Enquanto governo e oposição duelam por manchetes, o país assiste ao espetáculo da pós-verdade institucionalizada.
Por: Altair Inácio
Colunista de análise política crítica
| A guerra de versões virou um espetáculo de pós-verdade. |
A oposição,
herdeira direta de um método que privilegia o fígado sobre a razão, aperfeiçoou
a arte da indignação performática. Para esses atores, a política não é a busca
pelo bem comum, mas um jogo de soma zero onde a desqualificação do adversário é
o único prêmio possível. Utilizam-se de gatilhos emocionais e fragmentos de
verdade — convenientemente descontextualizados — para manter sua base em um
estado de ebulição permanente, transformando qualquer vírgula governamental em
um prenúncio do apocalipse.
Do outro
lado da praça, o governo parece frequentemente patinar em sua própria
burocracia comunicacional. Ao tentar responder a mentiras velozes com
explicações técnicas lentas, o Planalto muitas vezes entrega a pauta para o
adversário. Há uma insistência quase ingênua em acreditar que os fatos, por si
só, possuem pernas para caminhar no pântano das redes sociais. Falta ao
governismo a agilidade de entender que, na arena pública contemporânea, quem
não define a própria história acaba sendo personagem do enredo alheio.
Essa disputa
não é meramente retórica; ela corrói as fundações da confiança institucional.
No Maranhão, por exemplo, observamos essa dinâmica replicada em escala
regional, onde velhas oligarquias se vestem de modernidade para travar guerras
de narrativas que ignoram as carências estruturais do povo. O coronelismo de
outrora agora usa algoritmos e grupos de WhatsApp para manter sua hegemonia,
provando que o verniz mudou, mas o cinismo permanece o mesmo.
No fim do
dia, o cidadão é reduzido a um mero espectador — ou pior, a um soldado
involuntário nessa guerra de versões. Enquanto os palanques virtuais ardem em
chamas com polêmicas fabricadas, os problemas reais do país aguardam por
soluções que não cabem em um post ou em um vídeo de quinze segundos. A política
brasileira transformou-se em um imenso reality show onde o vencedor é aquele
que grita mais alto, e a verdade, essa velha senhora, jaz esquecida nos
bastidores de um poder que esqueceu sua função social.




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