terça-feira, 12 de maio de 2026

A DERROTA DO GOVERNO LULA NO 'ZAP' E O TRIUNFO DA FICÇÃO

Enquanto governo e oposição duelam por manchetes, o país assiste ao espetáculo da pós-verdade institucionalizada.

Por: Altair Inácio
Colunista de análise política crítica

A guerra de versões virou um espetáculo de pós-verdade. 
O Brasil atual não se governa apenas com decretos e negociações de bastidores; governa-se, primordialmente, através da curadoria minuciosa do escândalo da semana. Vivemos a era em que a gestão pública foi sequestrada pela estética da comunicação, onde um fato concreto tem menos valor do que a narrativa que o envolve. No teatro de Brasília, a realidade tornou-se um acessório opcional, um detalhe incômodo que muitas vezes atrapalha o roteiro bem ensaiado das bancadas digitais.

A oposição, herdeira direta de um método que privilegia o fígado sobre a razão, aperfeiçoou a arte da indignação performática. Para esses atores, a política não é a busca pelo bem comum, mas um jogo de soma zero onde a desqualificação do adversário é o único prêmio possível. Utilizam-se de gatilhos emocionais e fragmentos de verdade — convenientemente descontextualizados — para manter sua base em um estado de ebulição permanente, transformando qualquer vírgula governamental em um prenúncio do apocalipse.

Do outro lado da praça, o governo parece frequentemente patinar em sua própria burocracia comunicacional. Ao tentar responder a mentiras velozes com explicações técnicas lentas, o Planalto muitas vezes entrega a pauta para o adversário. Há uma insistência quase ingênua em acreditar que os fatos, por si só, possuem pernas para caminhar no pântano das redes sociais. Falta ao governismo a agilidade de entender que, na arena pública contemporânea, quem não define a própria história acaba sendo personagem do enredo alheio.

Essa disputa não é meramente retórica; ela corrói as fundações da confiança institucional. No Maranhão, por exemplo, observamos essa dinâmica replicada em escala regional, onde velhas oligarquias se vestem de modernidade para travar guerras de narrativas que ignoram as carências estruturais do povo. O coronelismo de outrora agora usa algoritmos e grupos de WhatsApp para manter sua hegemonia, provando que o verniz mudou, mas o cinismo permanece o mesmo.

No fim do dia, o cidadão é reduzido a um mero espectador — ou pior, a um soldado involuntário nessa guerra de versões. Enquanto os palanques virtuais ardem em chamas com polêmicas fabricadas, os problemas reais do país aguardam por soluções que não cabem em um post ou em um vídeo de quinze segundos. A política brasileira transformou-se em um imenso reality show onde o vencedor é aquele que grita mais alto, e a verdade, essa velha senhora, jaz esquecida nos bastidores de um poder que esqueceu sua função social.

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