A gestão da saúde não é apenas técnica, é uma escolha política que abandona os mais pobres em São Luís e em todo o país.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais
| Justiça social se faz com hospitais equipados e respeito ao povo. |
É
inadmissível que, em pleno 2024, ainda tenhamos que denunciar a falta de
medicamentos essenciais e a espera de meses para exames que deveriam ser
rotineiros. A saúde pública no Maranhão e no Brasil tem sido usada como moeda
de troca política, onde cargos de direção em hospitais são distribuídos por
alianças partidárias em vez de competência técnica. Esse cabide de empregos
custa vidas, e quem paga a conta é sempre a população periférica, que não tem
plano de saúde para fugir do caos.
Não podemos
cair na armadilha de achar que o problema é a falta de dinheiro. O problema
central é a prioridade da gestão e a transparência no uso dos recursos.
Enquanto se gasta milhões em publicidade institucional para dizer que a saúde
vai bem, os corredores dos prontos-socorros continuam lotados e os
profissionais de saúde estão no limite do esgotamento físico e mental. É uma
política de morte mascarada por discursos de eficiência administrativa.
Precisamos
falar abertamente sobre como a desigualdade social dita quem tem acesso ao
tratamento. A mulher negra da periferia enfrenta barreiras triplicadas, desde a
violência obstétrica até o descaso no atendimento preventivo. A gestão pública
de saúde que ignora esses marcadores sociais é cúmplice de um sistema que
seleciona quem é digno de cuidado e quem pode ser descartado na fila da
regulação.
A solução
não virá apenas de Brasília ou do Palácio dos Leões com promessas vazias. O
caminho prático exige o fortalecimento imediato dos Conselhos de Saúde com
participação popular real e a digitalização transparente das filas de espera,
para que o cidadão saiba exatamente em qual posição está e por que não foi
atendido. Chega de sigilo e de jogo político com a vida alheia. Exigimos uma
auditoria social rigorosa e punição para gestores que negligenciam o básico. A
saúde é um direito, não um favor.




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