terça-feira, 5 de maio de 2026

QUEM DECIDE QUEM VIVE NA FILA DO SUS?

A gestão da saúde não é apenas técnica, é uma escolha política que abandona os mais pobres em São Luís e em todo o país.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais

Justiça social se faz com hospitais equipados
e respeito ao povo.
A nossa Constituição de 1988 é clara como a luz do dia: a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. No entanto, para quem acorda às quatro da manhã para tentar uma ficha em uma Unidade Básica de Saúde em São Luís, esse texto parece uma ficção de mau gosto. O que vemos hoje é uma gestão que trata a vida humana como um detalhe em planilhas de gastos, enquanto o povo padece com a falta de insumos básicos e o sucateamento dos hospitais públicos.

É inadmissível que, em pleno 2024, ainda tenhamos que denunciar a falta de medicamentos essenciais e a espera de meses para exames que deveriam ser rotineiros. A saúde pública no Maranhão e no Brasil tem sido usada como moeda de troca política, onde cargos de direção em hospitais são distribuídos por alianças partidárias em vez de competência técnica. Esse cabide de empregos custa vidas, e quem paga a conta é sempre a população periférica, que não tem plano de saúde para fugir do caos.

Não podemos cair na armadilha de achar que o problema é a falta de dinheiro. O problema central é a prioridade da gestão e a transparência no uso dos recursos. Enquanto se gasta milhões em publicidade institucional para dizer que a saúde vai bem, os corredores dos prontos-socorros continuam lotados e os profissionais de saúde estão no limite do esgotamento físico e mental. É uma política de morte mascarada por discursos de eficiência administrativa.

Precisamos falar abertamente sobre como a desigualdade social dita quem tem acesso ao tratamento. A mulher negra da periferia enfrenta barreiras triplicadas, desde a violência obstétrica até o descaso no atendimento preventivo. A gestão pública de saúde que ignora esses marcadores sociais é cúmplice de um sistema que seleciona quem é digno de cuidado e quem pode ser descartado na fila da regulação.

A solução não virá apenas de Brasília ou do Palácio dos Leões com promessas vazias. O caminho prático exige o fortalecimento imediato dos Conselhos de Saúde com participação popular real e a digitalização transparente das filas de espera, para que o cidadão saiba exatamente em qual posição está e por que não foi atendido. Chega de sigilo e de jogo político com a vida alheia. Exigimos uma auditoria social rigorosa e punição para gestores que negligenciam o básico. A saúde é um direito, não um favor.

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