Professores denunciam cinco meses de salários atrasados enquanto recursos milionários do FUNDEB permanecem travados na Prefeitura.
Por:
Emerson Marinho
Analista de política e cotidiano popular
| O dinheiro do FUNDEB caiu, mas o professor não recebeu. |
A conta não
fecha para quem está na ponta do sistema educacional. A Prefeitura de São Luís
já recebeu mais de 252 milhões de reais do FUNDEB este ano. O dinheiro está nos
cofres públicos, mas as cerca de 140 escolas conveniadas seguem ignoradas pela
gestão municipal.
O contraste
entre o marketing político e a realidade das ruas é gritante. No início do ano,
o prefeito Eduardo Braide celebrou um reajuste de 16% para a rede direta.
Enquanto uma parte da categoria comemora, os profissionais das comunitárias
lutam para sobreviver sem um centavo.
Os relatos
que chegam das redes sociais são de revoltar qualquer cidadão. São pais e mães
de família mergulhados em dívidas e crises de ansiedade severas. Eles cumprem o
dever sagrado de ensinar, mas o poder público não cumpre o dever básico de
pagar pelo serviço prestado.
Existe uma
lei municipal específica, a de número 7.473, que deveria proteger esses
trabalhadores. Ela prevê uma multa de 10% sobre os repasses atrasados para
instituições adimplentes. Na prática, a gestão municipal atropela a legislação
e ignora as punições que deveria sofrer pelo atraso.
A
responsabilidade é compartilhada em um jogo de empurra que prejudica o povo.
Quatro meses de atraso vieram da gestão de Braide e o quinto mês se consolida
agora sob a gestão da Esmênia Miranda (PSD). A burocracia estatal não pode ser
maior que a dignidade humana de quem educa.
As escolas comunitárias são o braço forte que supre a falta de vagas na rede pública municipal. Sem elas, o sistema de ensino infantil de São Luís simplesmente entra em colapso total. Tratar esses profissionais com esse nível de indiferença é um erro estratégico e humano.
A solução exige coragem política e transparência imediata com os dados financeiros. A SEMED precisa publicar um cronograma oficial de pagamentos e quitar os atrasados com a multa prevista em lei. Valorizar a educação começa obrigatoriamente pelo respeito ao salário de quem está na sala de aula.




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