terça-feira, 12 de maio de 2026

O DESCASO COM AS ESCOLAS COMUNITÁRIAS DE SÃO LUÍS

Professores denunciam cinco meses de salários atrasados enquanto recursos milionários do FUNDEB permanecem travados na Prefeitura.

Por: Emerson Marinho
Analista de política e cotidiano popular

O dinheiro do FUNDEB caiu, mas o professor não recebeu.
O cenário nas escolas comunitárias de São Luís ultrapassa o limite do aceitável. Professores enfrentam cinco meses de salários atrasados em pleno maio de 2026. É a política do discurso oficial bonito que não se traduz em prato cheio na mesa do trabalhador.

A conta não fecha para quem está na ponta do sistema educacional. A Prefeitura de São Luís já recebeu mais de 252 milhões de reais do FUNDEB este ano. O dinheiro está nos cofres públicos, mas as cerca de 140 escolas conveniadas seguem ignoradas pela gestão municipal.

O contraste entre o marketing político e a realidade das ruas é gritante. No início do ano, o prefeito Eduardo Braide celebrou um reajuste de 16% para a rede direta. Enquanto uma parte da categoria comemora, os profissionais das comunitárias lutam para sobreviver sem um centavo.

Os relatos que chegam das redes sociais são de revoltar qualquer cidadão. São pais e mães de família mergulhados em dívidas e crises de ansiedade severas. Eles cumprem o dever sagrado de ensinar, mas o poder público não cumpre o dever básico de pagar pelo serviço prestado.

Existe uma lei municipal específica, a de número 7.473, que deveria proteger esses trabalhadores. Ela prevê uma multa de 10% sobre os repasses atrasados para instituições adimplentes. Na prática, a gestão municipal atropela a legislação e ignora as punições que deveria sofrer pelo atraso.

A responsabilidade é compartilhada em um jogo de empurra que prejudica o povo. Quatro meses de atraso vieram da gestão de Braide e o quinto mês se consolida agora sob a gestão da Esmênia Miranda (PSD). A burocracia estatal não pode ser maior que a dignidade humana de quem educa.

As escolas comunitárias são o braço forte que supre a falta de vagas na rede pública municipal. Sem elas, o sistema de ensino infantil de São Luís simplesmente entra em colapso total. Tratar esses profissionais com esse nível de indiferença é um erro estratégico e humano.

A solução exige coragem política e transparência imediata com os dados financeiros. A SEMED precisa publicar um cronograma oficial de pagamentos e quitar os atrasados com a multa prevista em lei. Valorizar a educação começa obrigatoriamente pelo respeito ao salário de quem está na sala de aula.

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