Enquanto a retórica punitivista domina o debate político, o feminicídio avança e a rede de proteção em São Luís segue pedindo socorro.
Por:
Marília Azevêdo
| Justiça para uma é segurança para todas. |
Em São Luís,
a situação das Delegacias da Mulher e da rede de acolhimento é o retrato fiel
dessa negligência. É inadmissível que, em pleno 2026, ainda lutemos para que
todas as unidades funcionem 24 horas por dia, com equipes treinadas e
humanizadas. A mulher que sofre agressão na madrugada de domingo não pode
esperar o horário comercial de segunda-feira para ser salva. A demora no
atendimento e a falta de uma rede integrada de proteção são cúmplices diretas
de cada feminicídio que estampa os jornais.
A conta da
desigualdade social pesa ainda mais forte nesse cenário. São as mulheres negras
e pobres, moradoras das áreas mais vulneráveis da nossa capital e do interior
do estado, que enfrentam as maiores barreiras para acessar a justiça. Quando o
Estado se retira e deixa o vácuo da proteção social, ele entrega essas mulheres
à própria sorte. Segurança pública de verdade se faz com assistência social,
com autonomia econômica para que a vítima possa romper o ciclo da violência e
com educação que desconstrua o machismo estrutural desde a base.
O discurso do 'bandido bom é bandido morto' não resolve a violência doméstica. O agressor, muitas vezes, está dentro de casa, dormindo no quarto ao lado. O punitivismo vazio ataca o sintoma, mas não cura a doença da impunidade que permite que medidas protetivas sejam apenas pedaços de papel sem eficácia prática. Precisamos de um sistema que monitore, que fiscalize e que ofereça suporte real, não apenas de promessas de campanha que desaparecem após o período eleitoral.
Para mudar essa realidade sangrenta, a solução exige coragem política e orçamento carimbado. É urgente a expansão das Patrulhas Maria da Penha para todos os municípios maranhenses e a criação de centros de reabilitação para agressores, aliada a um suporte financeiro imediato para as vítimas que não têm para onde ir. O questionamento que fica para os nossos governantes é direto: quantas vidas de mulheres ainda serão sacrificadas no altar da omissão estatal antes que a segurança feminina seja prioridade real e não apenas peça de propaganda?




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