Enquanto o marketing oficial brilha para o turista, as periferias da capital maranhense afundam na lama e no descaso crônico do poder público.
Por:
Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais
| As periferias pedem socorro e dignidade já! |
A chegada do
período de chuvas apenas escancara o que todos já sabemos: a infraestrutura
urbana da nossa capital é vergonhosamente seletiva. Nas periferias, a chuva não
traz apenas o alívio do calor, mas o medo concreto de perder os poucos móveis
conquistados com suor, a impossibilidade de sair para o trabalho e o risco
constante de doenças hídricas. É inadmissível que, em pleno século XXI,
famílias ainda convivam com esgoto a céu aberto na porta de casa enquanto o
orçamento público é drenado para obras de fachada que não resolvem o problema
estrutural da drenagem.
Essa
situação não é uma fatalidade geográfica, é uma decisão política deliberada.
Quando o poder público prioriza a maquiagem urbana em detrimento das obras de
base nas zonas rurais e nos aglomerados urbanos populares, o gestor está
enviando uma mensagem clara sobre quem ele considera cidadão e quem ele enxerga
como invisível. A desigualdade em São Luís tem endereço certo, e ela é
alimentada pela falta de coragem política para enfrentar os problemas
históricos de planejamento urbano que privilegiam o centro em detrimento da
borda.
O impacto social desse descaso é devastador e multidimensional. A falta de acessibilidade isola idosos e pessoas com deficiência dentro de suas próprias casas. O transporte coletivo, já precário, desiste de entrar em ruas tomadas por crateras, impedindo o jovem de chegar à escola ou ao mercado de trabalho. A infraestrutura precária é, em última análise, uma barreira estatal ao desenvolvimento econômico de quem mais precisa de oportunidade. O Estado, que deveria reduzir desigualdades, acaba por aprofundá-las através do abandono sistêmico.
Não podemos mais aceitar que o direito à cidade seja um privilégio de quem mora em bairros nobres. A solução passa obrigatoriamente pela criação de um Plano de Metas de Infraestrutura para as Periferias, com um orçamento carimbado que não possa ser desviado para festas ou publicidade. Precisamos de conselhos populares de obras que fiscalizem cada centavo investido. O questionamento que fica para a Prefeitura de São Luís é um só: quando é que o povo da periferia terá o mesmo valor, no orçamento, que o metro quadrado dos bairros de elite?




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