Não basta construir paredes se o estômago do aluno está vazio; a crise educacional brasileira exige mais do que promessas de campanha.
| Justiça social começa na sala de aula. |
A evasão
escolar, que muitos gestores tratam como um número frio, tem rosto, cor e
endereço. O jovem não 'abandona' a escola por escolha; ele é expulso por um
sistema que o obriga a escolher entre o livro e o prato de comida. Na periferia
maranhense, a necessidade de contribuir na renda familiar ou a falta de
transporte público digno são barreiras muito mais altas do que qualquer
vestibular. Sem uma política de assistência estudantil robusta, a escola
pública acaba se tornando apenas um depósito de sonhos interrompidos.
É preciso
apontar o dedo para a má gestão dos recursos. O dinheiro público existe, mas as
prioridades parecem sempre invertidas. Vemos verbas monumentais sendo
destinadas a obras de fachada enquanto laboratórios de informática são sucatas
e bibliotecas permanecem trancadas por falta de pessoal. Em São Luís, a
disparidade entre as escolas do centro e as das comunidades mais afastadas é um
retrato fiel da nossa desigualdade social. Onde estão os investimentos reais em
infraestrutura e na valorização dos profissionais que estão no olho do furacão?
Além disso, não podemos ignorar o componente racial e social dessa exclusão. A juventude negra e pobre é a que mais sofre com a falta de perspectivas, sendo empurrada para a informalidade ou, no pior dos casos, para a criminalidade por falta de alternativas. O Estado que falha na educação é o mesmo que gasta bilhões em segurança pública paliativa, tentando remediar com repressão o que deveria ter sido prevenido com investimento social. É um ciclo vicioso de pobreza e violência alimentado pelo descaso político.
Para mudar esse jogo, não precisamos de mais promessas vazias, mas de uma educação integral que seja, de fato, transformadora. Isso significa escola em tempo integral com alimentação de qualidade, apoio psicológico para jovens traumatizados pela violência urbana e bolsas de permanência que garantam que o aluno não precise trocar a caneta pela enxada ou pelo subemprego. A pergunta que fica para os nossos governantes é: até quando vamos aceitar que o CEP de um jovem determine o tamanho do seu futuro? A solução exige coragem política para colocar o orçamento onde está a necessidade real da população.




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