Como a disputa por prerrogativas e o controle do orçamento transformaram a relação institucional em um jogo de soma zero.
Por: Henrique Alvarenga
Analista institucional e de economia política
| O impacto econômico real dos conflitos entre as cúpulas de poder. |
De um lado,
o Judiciário tem sido provocado a decidir sobre temas sensíveis que o
Legislativo muitas vezes evita ou não consegue pacificar. Esse fenômeno,
conhecido como judicialização da política, acaba por conferir aos magistrados
um papel de árbitros da agenda nacional. Em resposta, o Congresso tem buscado
formas de limitar o que classifica como ativismo judicial, avançando com
Propostas de Emenda à Constituição que restringem decisões monocráticas e
mandatos de ministros.
O orçamento
público tornou-se o principal terreno dessa disputa de poder. O controle sobre
as emendas parlamentares e a transparência na execução dos recursos colocaram o
STF e o Legislativo em rota de colisão frontal. Enquanto a Corte exige maior rastreabilidade
e aderência às regras fiscais, o Congresso defende sua prerrogativa de definir
a alocação de recursos, gerando um impasse que afeta diretamente o
funcionamento da administração pública.
Essa instabilidade institucional gera efeitos concretos na economia política do país. Investidores nacionais e estrangeiros observam com cautela a falta de previsibilidade jurídica. Quando as regras do jogo mudam conforme o humor das relações entre as cúpulas dos Poderes, o custo de capital aumenta e os investimentos de longo prazo são adiados. A segurança jurídica, pilar do desenvolvimento econômico, torna-se a principal vítima desse embate permanente.
Para além da retórica política, os fatos mostram que o país precisa de um pacto de autocontenção institucional. Sem que cada Poder retorne às suas fronteiras originais — o Legislativo legislando, o Executivo executando e o Judiciário julgando sob provocação e limites estritos —, o Brasil corre o risco de permanecer em uma paralisia decisória. O equilíbrio de freios e contrapesos foi desenhado para evitar abusos, não para impedir a governabilidade.




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