Como a gestão pública perde a guerra das narrativas ao ignorar o cotidiano digital do cidadão
Por:
Emerson Marinho
Analista de política e cotidiano popular
| A imagem do político cai quando a realidade da rua aparece no celular. |
O marketing
político tenta criar uma redoma de vidro ao redor dos prefeitos e governadores.
No entanto, o asfalto cedendo ou a falta de remédios quebra essa proteção com
uma facilidade assustadora. O povo não aceita mais o discurso oficial que
ignora o sofrimento cotidiano e a precariedade dos serviços.
Nas redes
sociais de São Luís, a velocidade das informações dita o ritmo da política
local. Um vídeo de 30 segundos no WhatsApp destrói meses de planejamento de
comunicação institucional. A narrativa digital é implacável e exige respostas
em tempo real, sem rodeios ou desculpas esfarrapadas.
Vemos
gestores que preferem investir milhões em impulsionamento de posts enquanto a
estrutura básica da cidade pede socorro. Essa inversão de prioridades gera um
sentimento de injustiça que alimenta as crises mais profundas. A imagem sofre
porque a gestão prioriza a vitrine, não o estoque.
A disputa de
versões entre opositores e aliados domina os grupos de debate no Maranhão. Cada
deslize é transformado em meme e cada falha é usada como arma política
imediata. O político que não entende a linguagem da rede está fadado a perder o
controle da própria história e da sua reputação.
Ignorar um
problema viralizado é o maior erro de uma assessoria de comunicação moderna. O
silêncio nas plataformas digitais é lido como omissão ou descaso total com o
eleitor. A crise de imagem se arrasta quando o gestor se esconde atrás de notas
oficiais frias e burocráticas que ninguém lê.
A verdade continua sendo o melhor antídoto para qualquer turbulência política ou administrativa. Ninguém sustenta uma mentira digital por muito tempo quando a realidade do bairro desmente o post bonitinho do Instagram. A transparência real é o que separa os líderes dos meros personagens de marketing criados para a televisão.
Para resolver esse impasse, o gestor precisa descer do palanque digital e pisar no chão da realidade. A melhor forma de salvar uma imagem pública é entregando resultados concretos que melhorem a vida das pessoas. O marketing deve ser a consequência de um trabalho bem feito, nunca o seu substituto.




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