terça-feira, 5 de maio de 2026

SÃO LUÍS: O ABISMO ENTRE O MARKETING E A REALIDADE DAS RUAS

Como a gestão pública perde a guerra das narrativas ao ignorar o cotidiano digital do cidadão

Por: Emerson Marinho
Analista de política e cotidiano popular

A imagem do político cai quando
a realidade da rua aparece no celular.
A gestão pública vive um novo tempo de exposição total. Não existe mais segredo entre quatro paredes quando cada cidadão carrega uma câmera no bolso. A crise de imagem nasce exatamente quando a promessa de campanha esbarra na realidade dura das ruas e se torna um vídeo viral.

O marketing político tenta criar uma redoma de vidro ao redor dos prefeitos e governadores. No entanto, o asfalto cedendo ou a falta de remédios quebra essa proteção com uma facilidade assustadora. O povo não aceita mais o discurso oficial que ignora o sofrimento cotidiano e a precariedade dos serviços.

Nas redes sociais de São Luís, a velocidade das informações dita o ritmo da política local. Um vídeo de 30 segundos no WhatsApp destrói meses de planejamento de comunicação institucional. A narrativa digital é implacável e exige respostas em tempo real, sem rodeios ou desculpas esfarrapadas.

Vemos gestores que preferem investir milhões em impulsionamento de posts enquanto a estrutura básica da cidade pede socorro. Essa inversão de prioridades gera um sentimento de injustiça que alimenta as crises mais profundas. A imagem sofre porque a gestão prioriza a vitrine, não o estoque.

A disputa de versões entre opositores e aliados domina os grupos de debate no Maranhão. Cada deslize é transformado em meme e cada falha é usada como arma política imediata. O político que não entende a linguagem da rede está fadado a perder o controle da própria história e da sua reputação.

Ignorar um problema viralizado é o maior erro de uma assessoria de comunicação moderna. O silêncio nas plataformas digitais é lido como omissão ou descaso total com o eleitor. A crise de imagem se arrasta quando o gestor se esconde atrás de notas oficiais frias e burocráticas que ninguém lê.

A verdade continua sendo o melhor antídoto para qualquer turbulência política ou administrativa. Ninguém sustenta uma mentira digital por muito tempo quando a realidade do bairro desmente o post bonitinho do Instagram. A transparência real é o que separa os líderes dos meros personagens de marketing criados para a televisão.

Para resolver esse impasse, o gestor precisa descer do palanque digital e pisar no chão da realidade. A melhor forma de salvar uma imagem pública é entregando resultados concretos que melhorem a vida das pessoas. O marketing deve ser a consequência de um trabalho bem feito, nunca o seu substituto.

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