quarta-feira, 8 de abril de 2026

A HERANÇA DE SANGUE DOS SENHORES DA GUERRA

Enquanto líderes decidem destinos em gabinetes de luxo, a juventude é sacrificada no altar de interesses que não lhes pertencem.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais

Enquanto eles jogam golfe, as famílias choram sobre caixões.
A canção dos Engenheiros do Hawaii, 'Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones', não é apenas um clássico do rock nacional; é um manifesto dolorosamente atual sobre a hipocrisia do poder. A letra narra a trajetória de um jovem cujos sonhos foram interrompidos pela convocação para uma guerra sem sentido. Hoje, o cenário global e local reflete essa mesma desconexão perversa: os 'senhores da guerra' continuam tramando conflitos e políticas de segregação de dentro de seus gabinetes blindados, enquanto enviam os filhos da classe trabalhadora para morrer no front da violência e da desigualdade.

É revoltante observar como a história se repete sob diferentes roupagens. Enquanto líderes políticos, como o ex-presidente Donald Trump e tantos outros que seguem sua cartilha, ostentam uma vida de privilégios e lazer — indo jogar golfe em seus resorts de luxo —, famílias inteiras recebem corpos em caixões lacrados. Essa elite, que nunca sentiu o cheiro da pólvora ou a angústia da fome, é a mesma que assina decretos que retiram direitos sociais e alimentam o ódio, transformando seres humanos em simples bucha de canhão para sustentar suas 'ideias doentias' de hegemonia.

A injustiça social é o motor que alimenta essa máquina de moer gente. No Brasil, e especialmente aqui em São Luís, vemos o reflexo dessa mentalidade na forma como a segurança pública e as políticas de Estado são geridas. Os recursos que deveriam ir para a educação e para o desenvolvimento de projetos de vida para nossos jovens são frequentemente desviados para uma lógica de repressão que vitima, majoritariamente, a juventude negra e periférica. É a guerra urbana alimentada pela ausência de Estado, onde os generais do caos ganham medalhas e cargos políticos enquanto o povo conta seus mortos.

Precisamos encarar de frente a covardia desses líderes que se dizem patriotas, mas que não hesitam em sacrificar os sonhos alheios para proteger seus próprios lucros. Eles vendem a ilusão do heroísmo para quem nada tem, enquanto garantem que seus próprios herdeiros fiquem bem longe de qualquer risco. A medalha no peito de um político que fomenta a violência é uma afronta a cada mãe que chora a perda de um filho enviado para uma batalha que nunca foi dele. O silêncio dos cemitérios é o custo real das decisões tomadas entre um drink e uma tacada de golfe.

Até quando permitiremos que a vida humana seja tratada como mercadoria descartável na mesa de negociações de quem não tem empatia? A solução para interromper esse ciclo de morte não está no reforço do armamento ou na retórica belicista, mas no fortalecimento radical da democracia e da justiça social. É preciso exigir transparência absoluta nos gastos militares e de segurança, além de punição severa para líderes que abusam do poder para incitar conflitos. O caminho é investir na vida: educação em tempo integral, cultura e oportunidades reais que tornem o fuzil uma ferramenta obsoleta.

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