quinta-feira, 30 de abril de 2026

POR QUE O PIB CRESCE E A POPULARIDADE DO LULA PATINA?

No teatro do poder, a narrativa deixou de ser uma ferramenta para se tornar o próprio espetáculo, enquanto a realidade agoniza nos bastidores.

Por: Altair Inácio
Colunista de análise política crítica

Onde a verdade se perde no marketing político.
Vivemos a era em que a política abdicou do debate de ideias para se tornar uma gestão sistemática de percepções. Não importa mais se um projeto de lei melhora a vida do cidadão, mas sim como ele será fatiado em vídeos de quinze segundos para alimentar o apetite voraz do algoritmo. A verdade, outrora o norte da comunicação pública, tornou-se um acessório incômodo, muitas vezes descartado em prol de uma 'versão' mais palatável ou, preferencialmente, mais odienta.

O bolsonarismo não inventou a manipulação, mas a elevou ao status de método de governo e sobrevivência digital. Ao institucionalizar a pós-verdade, criou uma legião de seguidores que não buscam informações, mas confirmações para seus próprios preconceitos. O problema é que, uma vez quebrada a barreira da realidade compartilhada, a reconstrução do diálogo nacional torna-se uma tarefa hercúlea. O que vemos hoje é um campo de batalha onde as armas são memes e a munição é o ressentimento social acumulado.

Por outro lado, o atual governo parece ainda preso a uma lógica de comunicação analógica em um mundo hiperconectado e fragmentado. Tentar responder a uma avalanche de fake news com notas oficiais ou coletivas de imprensa tradicionais é como tentar apagar um incêndio com um conta-gotas. A narrativa da oposição é veloz, ruidosa e emocional; a resposta institucional, muitas vezes, é lenta, técnica e árida. Nessa assimetria de linguagens, quem perde é a clareza democrática.

A ironia maior reside no fato de que os maiores moralistas do palanque digital são, frequentemente, os mais pragmáticos e flexíveis nos bastidores. O discurso da ética serve apenas como uma maquiagem conveniente para esconder alianças espúrias e interesses paroquiais. No Maranhão, por exemplo, acompanhamos de perto como as dinastias políticas se reinventam, trocando de cor e de discurso com a mesma facilidade com que se troca de camisa, sempre sob o verniz de uma 'nova política' que de nova só tem o layout das redes sociais.

Enquanto a política for tratada como um jogo de espelhos, onde o reflexo importa mais que o objeto, o cidadão continuará a ser o figurante de um roteiro escrito para beneficiar poucos. É preciso resgatar a política como espaço de mediação de conflitos reais, e não como um reality show permanente. Afinal, quando as luzes do espetáculo se apagam e a narrativa se dissolve, o que sobra é a realidade crua de um país que ainda precisa de soluções, e não apenas de cliques.

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