terça-feira, 28 de abril de 2026

ENTRE A CORTESIA PALACIANA E O CÁLCULO FRIO DE 2026

Brandão abre as portas dos Leões, mas Esmênia caminha sobre ovos enquanto o fantasma eleitoral de Braide senta-se à mesa.

Por: Altair Inácio
Colunista de análise política crítica

O encontro entre Brandão e Esmênia agita
os bastidores da capital.
Na política maranhense, o café servido nos palácios raramente tem apenas o sabor do grão; ele vem sempre acompanhado de uma dose generosa de estratégia e um retrogosto de sobrevivência. O recente aceno de Carlos Brandão à prefeita Esmênia Miranda é o tipo de movimento que, na superfície, ostenta o verniz da 'republicanidade' e da harmonia administrativa. No entanto, para quem conhece os bastidores da Ilha, fica claro que o governador não está apenas oferecendo parcerias; ele está jogando uma rede fina sobre o Palácio La Ravardière.

Brandão, mestre na arte da paciência e da cooptação silenciosa, utiliza o discurso do tratamento igualitário entre capital e interior para desarmar críticas. Ao dizer que não haverá 'condicionamentos políticos', ele coloca Esmênia em uma sinuca de bico: se aceitar com entusiasmo, flerta com a traição ao seu mentor, Eduardo Braide; se recusar, assume o papel de gestora intransigente que prefere o isolamento ao benefício da população. É a velha tática de oferecer o abraço para, no mínimo, sentir o batimento cardíaco do adversário.

Do outro lado da mesa, Esmênia Miranda move-se com a cautela de quem atravessa um campo minado. Herdeira direta do capital político de Braide — o principal antagonista do grupo governista para o próximo pleito estadual — a prefeita sabe que cada sorriso em foto oficial é um projétil potencial para a oposição interna. Sua cautela não é apenas administrativa, é uma blindagem necessária para manter a coesão de um grupo que pretende transformar a prefeitura em trampolim para o Palácio dos Leões em 2026.

A ironia dessa coreografia é que o 'respeito' e a 'cortesia' citados por interlocutores são, muitas vezes, as ferramentas mais afiadas do isolamento político. Brandão tenta esvaziar o discurso de perseguição que Braide tão bem utilizou em campanhas passadas. Ao abrir as portas, o governador retira do adversário o papel de vítima, forçando a prefeitura a dividir os louros de qualquer obra que venha a sair do papel na capital.

Enquanto o xadrez se desenrola, a população de São Luís assiste ao espetáculo com a esperança de que, entre um xeque e outro, os problemas reais de infraestrutura e saúde não sejam meros peões sacrificados. A política, quando bem jogada, deveria servir ao cidadão, mas no Maranhão das oligarquias e dos novos grupos de poder, ela costuma servir primeiro aos projetos de poder. Que o diálogo seja proveitoso, mas que não esqueçamos: em ano pré-eleitoral, até o 'bom dia' tem segundas intenções.

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