No tabuleiro de 2026, a busca por abrigo partidário revela um Maranhão onde o capital eleitoral vale mais que o compromisso programático, deixando a justiça social em segundo plano.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Defensora de Direitos Sociais
| O isolamento de Duarte Jr. revela as entranhas
do poder no Maranhão. |
Este
episódio é o retrato fiel do abismo entre o discurso público e a realidade dos
bastidores. Enquanto a população de São Luís e do interior do Maranhão clama
por políticas públicas que enfrentem a fome e o desemprego, os caciques
partidários debruçam-se sobre calculadoras para decidir quem pode ou não entrar
no jogo. A política de coalizão, que deveria servir para fortalecer projetos
coletivos de Estado, transformou-se em uma barreira para evitar que nomes com
densidade eleitoral ameacem a perpetuação dos mesmos grupos no poder. O
pragmatismo, aqui, soterra qualquer tentativa de debate ideológico ou
compromisso com pautas sociais.
Não se pode
ignorar, contudo, o componente ético e estratégico que acelerou o isolamento de
Duarte. Sua atuação na CPMI do INSS, onde mirou diretamente o presidente
nacional do PP, Ciro Nogueira, criou um ambiente de hostilidade mútua que
tornou a convivência na mesma federação insustentável. Ao tocar no 'vespeiro'
das relações entre parlamentares e o sistema financeiro, Duarte escolheu um
caminho de enfrentamento que a política tradicional maranhense raramente
perdoa. O resultado é o rótulo de 'persona non grata' não apenas na direita,
mas também em setores da esquerda, como PT e PCdoB, que agora fecham as portas
para o parlamentar, acusando-o de um individualismo que ignora a visão de
grupo.
A situação de Duarte Jr., que corre contra o relógio para encontrar uma sigla que viabilize sua candidatura em 2026, reflete a fragilidade das nossas instituições partidárias. Quando um deputado é 'rifado' por ser votado demais, o sinal de alerta para a democracia é máximo: o sistema está calibrado para proteger os detentores de mandato, não para renovar as ideias ou representar o povo. Essa dança das cadeiras, mediada pelo Ministro Juscelino Filho e pelo governador Carlos Brandão, ignora sistematicamente as necessidades urgentes da periferia, que permanece como mera espectadora desses arranjos de cúpula.
Como jornalista que acompanha a luta por justiça social, vejo com preocupação esse cenário de 'apartheid político', onde o acesso ao jogo eleitoral depende mais de acordos de bastidores do que do respaldo popular. Se as alianças para 2026 continuarem a ser costuradas apenas com o fio do interesse próprio, o Maranhão chegará às urnas com chapas montadas no vácuo de propostas reais para o combate à desigualdade. A política não pode ser um clube privado de sobrevivência; ela deve ser, antes de tudo, o instrumento para garantir que os direitos humanos e a dignidade do cidadão maranhense não sejam meras notas de rodapé em tabelas de votos.




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