sexta-feira, 10 de abril de 2026

O CERCO AO PL DA MISOGINIA E A COVARDIA POLÍTICA NA CÂMARA

Enquanto parlamentares distorcem a lei para proteger discursos de ódio, mulheres seguem pagando com a vida a conta do machismo estrutural e da desinformação.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais

O PL da Misoginia é prevenção, não é censura.

É inadmissível ver como o jogo político em Brasília se torna um balcão de negócios onde a moeda de troca é a vida das mulheres. O Projeto de Lei que criminaliza a misoginia, já aprovado no Senado, enfrenta agora uma barreira de mentiras e má vontade na Câmara dos Deputados. O que está em jogo não é a liberdade de expressão, como pregam alguns parlamentares que surfam na onda do populismo digital, mas sim a interrupção de um ciclo de ódio que começa no discurso e termina no necrotério. É preciso dar nome aos bois: quem tenta enterrar esse projeto está, na prática, assinando embaixo da violência que assola o país.

A solução para esse impasse não virá apenas dos gabinetes, mas da pressão popular. Precisamos exigir transparência total no Colégio de Líderes e cobrar que o projeto seja pautado e votado abertamente, para que cada brasileiro saiba quem são os parlamentares que escolhem proteger o discurso de ódio em vez de proteger as cidadãs. O caminho é a mobilização nas redes e nas ruas, transformando a indignação em política pública de proteção real. Chega de silêncio cúmplice.

A tática da oposição é velha e manjada: criar pânico moral. Deputados como Nicolas Ferreira e seus aliados espalham a mentira de que homens serão presos por dar um 'bom dia' ou por discordar de colegas no trabalho. Isso é desonestidade intelectual pura. O texto do PL é claro: ele foca na conduta que exterioriza ódio, desprezo e aversão sistemática às mulheres. Ninguém será punido por flertar ou por uma discussão comum. A lei mira em quem desumaniza, em quem prega a inferioridade feminina e em quem alimenta o ecossistema de violência que faz do Brasil um dos países que mais matam mulheres no mundo.

Não podemos ignorar que esse ódio foi institucionalizado e incentivado nos últimos anos. O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi um marco de como o machismo é usado para destruir reputações políticas. Hoje, esse fenômeno ganha escala industrial nas redes sociais com movimentos como o 'red pill'. Esses grupos usam algoritmos para convencer jovens de que mulheres são 'fêmeas beta' submissas, transformando o ressentimento masculino em uma ideologia perigosa. O resultado está nas estatísticas recordes de feminicídio e estupro. Quando o ódio se torna entretenimento e política, a tragédia é inevitável.

O PL da Misoginia é uma ferramenta fundamental de prevenção. Ele serve para educar a sociedade e as nossas crianças sobre o respeito básico e a igualdade de direitos. Tratar a misoginia como crime é dizer que a desumanização da mulher não é mais aceitável no Brasil. Não se trata de censura, trata-se de civilidade. Aqueles que dizem que o projeto foi 'enterrado' de forma definitiva estão mentindo para desmobilizar a sociedade. Não houve deliberação formal, houve apenas uma tentativa de silenciamento por parte de quem teme perder o palanque do ódio.

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