segunda-feira, 6 de abril de 2026

O SALTO NO ESCURO DE BRAIDE: A RENÚNCIA QUE INCENDEIA O MARANHÃO

Entre o marketing da 'independência' e o fantasma do 'carro do milhão', Eduardo Braide abandona a prefeitura de São Luís para tentar o Palácio dos Leões em uma jogada de altíssimo risco.

Por: Altair Inácio
Jornalista e Colunista de Bastidores

Braide largou a prefeitura pelo sonho dos Leões.

Eduardo Braide finalmente resolveu trocar o certo pelo duvidoso. Ao assinar sua renúncia irrevogável na última terça-feira, 31 de março, o agora ex-prefeito de São Luís confirmou o que os bastidores já sussurravam entre um café e outro: a ambição pelo Palácio dos Leões falou mais alto que o mandato renovado com pompa em 2024. Braide sai de cena na capital tentando vender a imagem do 'gestor solitário contra o sistema', mas deixa para trás uma prefeitura mergulhada em uma guerra fria com a Câmara Municipal e uma vice, Esmênia Miranda, que agora herda o abacaxi de governar sob a mira de Paulo Victor.

O discurso de despedida foi um primor de ironia involuntária. Braide afirmou, em vídeo coreografado, que não possui 'a máquina nem o dinheiro', mas sim 'a força do povo'. É curioso notar como a memória política é seletiva; o ex-prefeito parece ter esquecido que o episódio do 'carro do milhão' — aquele Clio vermelho recheado de notas de cem encontrado no Renascença em 2024 — ainda exala um odor nada agradável nos arquivos da Polícia Civil. Levar essa bagagem para uma campanha estadual contra o grupo de Carlos Brandão é, no mínimo, um ato de coragem ou um delírio de perseguição bem ensaiado.

A sucessão estadual agora se transforma em um tabuleiro de xadrez onde ninguém confia em ninguém. Com Brandão decidindo permanecer no cargo até o fim, frustrando os planos de ascensão imediata de Felipe Camarão, o cenário para Braide se torna um 'vale-tudo'. Ele terá que enfrentar não apenas o herdeiro oficial do clã, Orleans Brandão, mas também o radicalismo populista de Lahesio Bonfim. A estratégia de Braide é clara: nacionalizar o debate e se pintar como a terceira via maranhense, enquanto reza para que as investigações sobre seus assessores e familiares não ganhem capítulos inéditos em pleno horário eleitoral.

Enquanto isso, São Luís vira laboratório. Esmênia Miranda assume o comando da capital com a missão ingrata de provar que existe vida inteligente na gestão sem a sombra onipresente de Braide. O problema é que a Câmara Municipal, liderada por um Paulo Victor que respira política 24 horas por dia, não dará trégua. Sem o escudo da popularidade direta do titular, a nova prefeita sentirá na pele o peso de vetos derrubados e de um orçamento que virou moeda de troca. Braide foi embora, mas as dívidas políticas que ele contraiu com sua arrogância administrativa ficaram para a sucessora pagar.

A grande questão que fica nos corredores do poder é se Braide está subindo o último degrau ou se jogando do penhasco. No Maranhão, quem despreza a estrutura costuma terminar a eleição com um belo discurso de 'vitória moral' e as mãos abanando. Ao renunciar, ele abandona a zona de conforto da capital para enfrentar os leões do interior, onde o asfalto das avenidas de São Luís não garante voto. O jogo começou, as peças estão sujas e, como sempre, o povo assiste à plateia enquanto os donos do poder decidem quem será o próximo a ocupar a cadeira principal — ou a cela mais próxima.

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