segunda-feira, 6 de abril de 2026

GREVE NO HU-UFMA: O POVO PAGA A CONTA DA FALTA DE ACORDO NA SAÚDE

Paralisação nacional atinge o 'Dutra' em São Luís e deixa milhares de maranhenses sem cirurgias e consultas, expondo a ferida aberta da desvalorização profissional.

Por: Emerson Marinho
Comunicador e Colunista Popular

O impasse no HU-UFMA castiga o trabalhador e o povo.
O Hospital Universitário Presidente Dutra, o nosso querido "Dutra", amanheceu diferente nos últimos dias. O que deveria ser um lugar de cura e esperança se transformou em palco de indignação e portas semi-fechadas. Com o início da greve nacional dos servidores da Ebserh, quem chega buscando o atendimento que esperou por meses acaba encontrando um aviso de "serviços essenciais". É o retrato fiel de um sistema que, quando entra em colapso, escolhe sempre o mesmo lado para sofrer: o do cidadão comum.

Imagine a situação de um pai de família que sai de uma cidade distante no interior do Maranhão, gasta o que não tem com passagem e alimentação, apenas para ouvir que a cirurgia eletiva foi cancelada. Não é apenas um procedimento adiado; é uma vida em suspenso, uma dor que não espera a negociação sindical terminar. Para quem depende exclusivamente do SUS, a greve não é um feriado forçado, é um pesadelo real que bate à porta toda manhã, trazendo a incerteza sobre o amanhã.

Do outro lado da moeda, temos o trabalhador da saúde. Médicos, enfermeiros e pessoal administrativo que enfrentam jornadas exaustivas e condições muitas vezes precárias. A reivindicação por um reajuste digno não é capricho. Quando a proposta oferecida pela gestão fica abaixo da inflação acumulada, o que se está dizendo para esses profissionais é que o trabalho deles vale menos do que no ano passado. É impossível ter uma saúde pública de qualidade desvalorizando quem segura o piano na linha de frente.

A gestão da Ebserh, agora denominada HU Brasil, e o governo federal precisam entender que a corda sempre estoura no lado mais fraco. Apresentar um índice de reajuste que ignora o custo de vida atual é empurrar a categoria para o confronto inevitável. Enquanto o impasse segue sob mediação no Tribunal Superior do Trabalho, o relógio corre contra quem tem uma doença crônica ou uma consulta que pode ser a diferença crucial entre o diagnóstico precoce e o tratamento tardio.

A paralisação no Maranhão é parte de um movimento nacional, mas aqui no estado a dor parece mais aguda devido às carências históricas. Nosso estado ainda luta para superar índices sociais difíceis, e o HU-UFMA é uma das poucas referências de alta complexidade para milhões de maranhenses. Quando o "Dutra" reduz o ritmo, toda a rede de saúde do estado sente o impacto imediato, sobrecarregando hospitais municipais e estaduais que já operam no limite de sua capacidade operacional.

O que mais incomoda nesse cenário é o silêncio ensurdecedor de boa parte da nossa classe política regional. Onde estão os representantes que, em época de eleição, prometem saúde padrão primeiro mundo para os maranhenses? A crise nos hospitais universitários deveria ser pauta prioritária na Assembleia Legislativa e na bancada federal em Brasília. Política se faz para as pessoas, e não há nada mais urgente do que garantir que o povo não fique desamparado no momento de sua maior vulnerabilidade física e emocional.

A solução para essa crise passa por uma mediação honesta e imediata entre governo e sindicatos. Não dá para tratar a saúde pública como um balcão de negócios onde se economiza nos centavos do servidor enquanto o sistema sangra por outros lados. É preciso garantir a manutenção dos serviços, sim, mas com a garantia de que quem cuida da nossa gente também será cuidado, recebendo um salário e benefícios que honrem sua importância vital para a sociedade maranhense.

No fim das contas, a pergunta que fica para todos nós é: até quando o maranhense vai ter que escolher entre a dor da doença e a angústia da espera infinita? A greve na saúde é um sintoma de uma doença maior na gestão pública nacional, onde a prioridade nem sempre é o bem-estar imediato da população. Que o bom senso prevaleça nas negociações e que as portas do Dutra voltem a se abrir totalmente, porque o nosso povo não pode continuar pagando essa conta amarga com a própria vida.

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