Paralisação nacional atinge o 'Dutra' em São Luís e deixa milhares de maranhenses sem cirurgias e consultas, expondo a ferida aberta da desvalorização profissional.
Por: Emerson Marinho
Comunicador e Colunista Popular
| O impasse no HU-UFMA castiga o trabalhador e o povo. |
Imagine a
situação de um pai de família que sai de uma cidade distante no interior do
Maranhão, gasta o que não tem com passagem e alimentação, apenas para ouvir que
a cirurgia eletiva foi cancelada. Não é apenas um procedimento adiado; é uma
vida em suspenso, uma dor que não espera a negociação sindical terminar. Para
quem depende exclusivamente do SUS, a greve não é um feriado forçado, é um
pesadelo real que bate à porta toda manhã, trazendo a incerteza sobre o amanhã.
Do outro
lado da moeda, temos o trabalhador da saúde. Médicos, enfermeiros e pessoal
administrativo que enfrentam jornadas exaustivas e condições muitas vezes
precárias. A reivindicação por um reajuste digno não é capricho. Quando a
proposta oferecida pela gestão fica abaixo da inflação acumulada, o que se está
dizendo para esses profissionais é que o trabalho deles vale menos do que no ano
passado. É impossível ter uma saúde pública de qualidade desvalorizando quem
segura o piano na linha de frente.
A gestão da
Ebserh, agora denominada HU Brasil, e o governo federal precisam entender que a
corda sempre estoura no lado mais fraco. Apresentar um índice de reajuste que
ignora o custo de vida atual é empurrar a categoria para o confronto
inevitável. Enquanto o impasse segue sob mediação no Tribunal Superior do
Trabalho, o relógio corre contra quem tem uma doença crônica ou uma consulta
que pode ser a diferença crucial entre o diagnóstico precoce e o tratamento
tardio.
A
paralisação no Maranhão é parte de um movimento nacional, mas aqui no estado a
dor parece mais aguda devido às carências históricas. Nosso estado ainda luta
para superar índices sociais difíceis, e o HU-UFMA é uma das poucas referências
de alta complexidade para milhões de maranhenses. Quando o "Dutra"
reduz o ritmo, toda a rede de saúde do estado sente o impacto imediato,
sobrecarregando hospitais municipais e estaduais que já operam no limite de sua
capacidade operacional.
O que mais
incomoda nesse cenário é o silêncio ensurdecedor de boa parte da nossa classe
política regional. Onde estão os representantes que, em época de eleição,
prometem saúde padrão primeiro mundo para os maranhenses? A crise nos hospitais
universitários deveria ser pauta prioritária na Assembleia Legislativa e na
bancada federal em Brasília. Política se faz para as pessoas, e não há nada
mais urgente do que garantir que o povo não fique desamparado no momento de sua
maior vulnerabilidade física e emocional.
A solução
para essa crise passa por uma mediação honesta e imediata entre governo e
sindicatos. Não dá para tratar a saúde pública como um balcão de negócios onde
se economiza nos centavos do servidor enquanto o sistema sangra por outros
lados. É preciso garantir a manutenção dos serviços, sim, mas com a garantia de
que quem cuida da nossa gente também será cuidado, recebendo um salário e
benefícios que honrem sua importância vital para a sociedade maranhense.
No fim das
contas, a pergunta que fica para todos nós é: até quando o maranhense vai ter
que escolher entre a dor da doença e a angústia da espera infinita? A greve na
saúde é um sintoma de uma doença maior na gestão pública nacional, onde a
prioridade nem sempre é o bem-estar imediato da população. Que o bom senso
prevaleça nas negociações e que as portas do Dutra voltem a se abrir
totalmente, porque o nosso povo não pode continuar pagando essa conta amarga
com a própria vida.




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