Enquanto o poder se encastela, o povo de São Luís e do Brasil padece na fila do descaso e da humilhação institucional.
Por:
Marília Azevêdo
| Serviço público não é favor de político, é direito pago com o nosso suor! |
Não há nada mais violento do que chegar a um posto de saúde e ouvir que 'não tem médico' ou esperar horas por um transporte público que nunca vem. Em São Luís, essa realidade não é fruto do acaso ou da falta de recursos; é um projeto de poder. O abuso de poder no serviço público começa quando o governante trata o que é direito constitucional como se fosse uma benevolência pessoal. É a velha política do 'favor' mascarada de gestão moderna, onde o cidadão é forçado a agradecer pelo mínimo.
Essa
dinâmica perversa mantém as populações mais vulneráveis sob rédea curta. Quando
um serviço básico falha propositalmente para depois ser 'resolvido' por um
padrinho político, o que vemos é um sequestro da cidadania. Mulheres, negros e
moradores da periferia são os que mais sofrem esse impacto. São elas que perdem
o dia de trabalho para cuidar de filhos sem creche ou que esperam meses por um
exame que deveria ser imediato. A negligência é, por si só, uma forma de abuso
de autoridade.
No cenário
nacional, o panorama não é diferente. Orçamentos são fatiados emendas que
servem mais para garantir votos do que para estruturar políticas públicas de
longo prazo. O resultado é o sucateamento proposital do SUS, da educação e da
assistência social. Ao enfraquecer o público, abre-se espaço para a
mercantilização de direitos fundamentais, onde só tem acesso quem pode pagar ou
quem tem o 'contato' certo dentro da máquina estatal.
É preciso denunciar que a falta de transparência na gestão desses serviços é o terreno fértil para a corrupção e para o tráfico de influência. Quando os critérios de atendimento não são claros e o controle social é barrado, o gestor se sente dono da coisa pública. Esse abuso se manifesta no desrespeito ao servidor de carreira, que é pressionado a cumprir agendas políticas em vez de técnicas, e no desdém total pelo usuário que paga seus impostos e recebe indignidade em troca.
A solução não virá apenas de promessas de campanha, mas de um choque de transparência e de controle popular rigoroso. Precisamos de leis que punam com rigor a instrumentalização política do serviço público e de mecanismos digitais auditáveis que garantam a ordem cronológica de atendimentos sem fura-filas políticos. O povo precisa ocupar os conselhos municipais e exigir que o orçamento seja gasto onde a dor é maior. O serviço público é um dever do Estado e um direito nosso, e não uma moeda de troca para manter privilégios de quem está no topo.




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