terça-feira, 7 de abril de 2026

SÃO LUÍS LIDERA INFLAÇÃO E PÕE À PROVA O ESTÔMAGO DO MARANHENSE

Com alta recorde de 6,51% em 2024, capital maranhense supera média nacional impulsionada por carnes e combustíveis.

Por: Emerson Marinho
Comunicador e Colunista Popular

Maranhão precisa valorizar o produtor local
para baixar o preço da comida.

Esperamos que os gestores saiam da bolha dos gabinetes climatizados e sintam o calor dos preços que ardem no bolso do maranhense. O combate à carestia exige coragem política para enfrentar grandes distribuidores e inteligência para desonerar o consumo básico. Enquanto a solução não vem, o povo segue fazendo milagre com o pouco que tem, esperando o dia em que encher o prato deixará de ser um ato de heroísmo. 

Ir ao supermercado em São Luís virou um teste de resistência para o coração e para o bolso. Os dados mais recentes do IBGE confirmam o que a dona de casa já sentia na pele: nossa capital encerrou o último ciclo com a maior inflação do Brasil, atingindo a marca de 6,51%. É um contraste doloroso para quem, no ano anterior, viu a cidade ostentar o menor índice do país. Esse salto mostra que a estabilidade ficou no discurso, enquanto os preços nas prateleiras dispararam sem pedir licença.

Os grandes vilões dessa história têm nome e sobrenome: a carne bovina e a gasolina. Enquanto a média nacional tentava se equilibrar, São Luís viu o preço das carnes subir mais de 16%, transformando o tradicional churrasco de domingo ou até o bife do dia a dia em artigo de luxo. Somado a isso, o reajuste de 14,24% nos combustíveis criou um efeito cascata devastador, já que tudo o que consumimos chega até nós por caminhões que cobram fretes cada vez mais caros.

Não é apenas a proteína que sumiu do prato. O café moído, item sagrado na mesa do maranhense, registrou uma alta impressionante de 42,51%. Quando o cafezinho da manhã e a carne do almoço sobem dessa forma, o trabalhador é empurrado para escolhas desesperadas. O malabarismo agora é substituir alimentos nutritivos por opções ultraprocessadas e mais baratas, o que gera um problema de saúde pública invisível aos olhos dos governantes, mas muito real nas filas dos postos de saúde.

O que mais indigna o cidadão comum é o abismo entre a propaganda política e a realidade das ruas. Nos palanques e redes sociais, ouvimos falar de um Maranhão que cresce e prospera, mas esse crescimento parece não chegar ao carrinho de compras da classe média e baixa. Para quem vive com um salário mínimo, comprometer mais de 60% da renda apenas para garantir a cesta básica é uma sentença de sobrevivência, não de vida.

A solução para esse sufocamento passa, obrigatoriamente, por olhar para dentro do nosso estado. É inadmissível que um estado com tanto potencial agrícola ainda dependa tanto de produtos vindos de fora, o que encarece o custo logístico. Fortalecer a agricultura familiar de forma estratégica, garantindo que o cinturão verde de São Luís e as regiões produtoras vizinhas consigam abastecer nossas feiras com preços competitivos, é o primeiro passo para baixar o custo da comida.

Além do incentivo à produção, precisamos falar de impostos. O peso dos tributos sobre os itens da cesta básica maranhense precisa ser revisto com urgência. Reduzir a carga tributária local sobre produtos essenciais não é apenas uma medida econômica, é uma medida humanitária. O governo estadual e as prefeituras precisam entender que o alívio fiscal na ponta da cadeia se traduz em prato cheio para quem hoje faz as contas no caixa com as mãos trêmulas.

A política de verdade se faz onde o povo vive, e o povo vive no supermercado, no posto de gasolina e na feira livre. De nada adianta inaugurar obras de fachada se o cidadão não consegue comprar o básico para alimentar seus filhos. A inflação de São Luís não é apenas um número frio em um gráfico do IBGE; é o grito de socorro de uma população que está cansada de pagar a conta de uma economia que só parece favorecer quem está no topo.

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