Com alta recorde de 6,51% em 2024, capital maranhense supera média nacional impulsionada por carnes e combustíveis.
Por:
Emerson Marinho
Comunicador e Colunista Popular
| Maranhão precisa valorizar o produtor local para baixar o preço da comida. |
Esperamos que os gestores saiam da bolha dos gabinetes climatizados e sintam o calor dos preços que ardem no bolso do maranhense. O combate à carestia exige coragem política para enfrentar grandes distribuidores e inteligência para desonerar o consumo básico. Enquanto a solução não vem, o povo segue fazendo milagre com o pouco que tem, esperando o dia em que encher o prato deixará de ser um ato de heroísmo.
Ir ao
supermercado em São Luís virou um teste de resistência para o coração e para o
bolso. Os dados mais recentes do IBGE confirmam o que a dona de casa já sentia
na pele: nossa capital encerrou o último ciclo com a maior inflação do Brasil,
atingindo a marca de 6,51%. É um contraste doloroso para quem, no ano anterior,
viu a cidade ostentar o menor índice do país. Esse salto mostra que a estabilidade
ficou no discurso, enquanto os preços nas prateleiras dispararam sem pedir
licença.
Os grandes
vilões dessa história têm nome e sobrenome: a carne bovina e a gasolina.
Enquanto a média nacional tentava se equilibrar, São Luís viu o preço das carnes
subir mais de 16%, transformando o tradicional churrasco de domingo ou até o
bife do dia a dia em artigo de luxo. Somado a isso, o reajuste de 14,24% nos
combustíveis criou um efeito cascata devastador, já que tudo o que consumimos
chega até nós por caminhões que cobram fretes cada vez mais caros.
Não é apenas
a proteína que sumiu do prato. O café moído, item sagrado na mesa do
maranhense, registrou uma alta impressionante de 42,51%. Quando o cafezinho da
manhã e a carne do almoço sobem dessa forma, o trabalhador é empurrado para
escolhas desesperadas. O malabarismo agora é substituir alimentos nutritivos
por opções ultraprocessadas e mais baratas, o que gera um problema de saúde
pública invisível aos olhos dos governantes, mas muito real nas filas dos postos
de saúde.
O que mais
indigna o cidadão comum é o abismo entre a propaganda política e a realidade
das ruas. Nos palanques e redes sociais, ouvimos falar de um Maranhão que
cresce e prospera, mas esse crescimento parece não chegar ao carrinho de compras
da classe média e baixa. Para quem vive com um salário mínimo, comprometer mais
de 60% da renda apenas para garantir a cesta básica é uma sentença de
sobrevivência, não de vida.
A solução
para esse sufocamento passa, obrigatoriamente, por olhar para dentro do nosso
estado. É inadmissível que um estado com tanto potencial agrícola ainda dependa
tanto de produtos vindos de fora, o que encarece o custo logístico. Fortalecer
a agricultura familiar de forma estratégica, garantindo que o cinturão verde de
São Luís e as regiões produtoras vizinhas consigam abastecer nossas feiras com
preços competitivos, é o primeiro passo para baixar o custo da comida.
Além do
incentivo à produção, precisamos falar de impostos. O peso dos tributos sobre
os itens da cesta básica maranhense precisa ser revisto com urgência. Reduzir a
carga tributária local sobre produtos essenciais não é apenas uma medida
econômica, é uma medida humanitária. O governo estadual e as prefeituras
precisam entender que o alívio fiscal na ponta da cadeia se traduz em prato
cheio para quem hoje faz as contas no caixa com as mãos trêmulas.
A política
de verdade se faz onde o povo vive, e o povo vive no supermercado, no posto de
gasolina e na feira livre. De nada adianta inaugurar obras de fachada se o cidadão
não consegue comprar o básico para alimentar seus filhos. A inflação de São
Luís não é apenas um número frio em um gráfico do IBGE; é o grito de socorro de
uma população que está cansada de pagar a conta de uma economia que só parece
favorecer quem está no topo.




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