Enquanto o capital estrangeiro irriga a B3 com recordes históricos, o investidor brasileiro amarga o custo de ter acreditado nos profetas do apocalipse digital.
Por:
Altair Inácio
Colunista de análise política crítica
| Quando a ideologia entra na corretora, o lucro sai pela janela. |
É fascinante
observar o descompasso entre a percepção doméstica e a leitura global. Enquanto
investidores internacionais injetaram R$ 65 bilhões no Brasil apenas em 2025,
registrando entradas diárias que fariam qualquer gestor de fundo sorrir de
orelha a orelha, o investidor de varejo brasileiro bateu seu menor índice de
participação desde 1994. O motivo? Uma dieta rigorosa de medo servida por
influenciadores de finanças que confundiram análise técnica com palanque
ideológico. O brasileiro médio, assustado por algoritmos que prometiam o caos,
ficou assistindo da calçada enquanto o dinheiro de fora aproveitava a festa.
Essa
cegueira deliberada tem método e história. É impossível não recordar a máxima
hiperbólica de Paulo Guedes em 2021, quando vaticinou que o Brasil levaria
apenas seis meses para virar a Argentina e um ano e meio para se transformar na
Venezuela se os rumos políticos mudassem. O tempo, esse senhor implacável da
razão, passou. O que temos hoje não é a escassez venezuelana, mas um fluxo
recorde de capital que mostra que, para o investidor estrangeiro, a segurança
jurídica e o equilíbrio institucional parecem muito mais sólidos do que as
correntes de WhatsApp sugeriam.
O fenômeno
dos 'influenciadores do caos' revela uma faceta perversa da nossa comunicação
política contemporânea: a monetização do ressentimento. Ao vender a ideia de
que o governo atual destruiria a economia, esses personagens não apenas erraram
a previsão, mas causaram prejuízo real ao patrimônio de quem os segue. O investidor
estrangeiro, que não gasta tempo com brigas de ego no Twitter, leu os balanços,
viu a estabilidade e aproveitou o 'desconto' gerado pelo pessimismo
nacionalista. É a ironia suprema: os 'patriotas' da rede social entregaram o
lucro do país de bandeja para o capital global.
A resposta
de Lula, que sempre prometeu provar que o pessimismo era uma ferramenta
política e não um dado econômico, vem em forma de dígitos verdes na tela do
pregão. Para o governo, esses 198 mil pontos são mais do que uma vitória econômica;
são um troféu simbólico contra a desinformação. Resta saber se o brasileiro que
ficou de fora dessa valorização histórica aprenderá a lição: em economia, quem
segue o fígado costuma perder o bolso, especialmente quando o fígado está
intoxicado por narrativas de quem lucra com o medo alheio.




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