Enquanto privilégios são blindados, a população de São Luís e do Brasil assiste ao desmonte de direitos básicos sob o manto da impunidade.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais
| O abuso de poder mata sonhos e retira comida do prato. |
O abuso de poder não é apenas um termo jurídico; é a realidade diária de quem usa cargos públicos para favorecer interesses privados enquanto a maioria da população amarga na fila do hospital. Em São Luís, vemos isso de forma escancarada quando recursos que deveriam ser destinados ao saneamento básico ou à melhoria do transporte público parecem desaparecer em contratos nebulosos que beneficiam sempre os mesmos grupos de sempre. Isso não é apenas má gestão, é um roubo da dignidade humana.
O cenário
nacional não é diferente e reflete uma estrutura apodrecida onde a 'ética da
conveniência' impera. Assistimos a um ciclo vicioso de escândalos onde figuras
poderosas são protegidas por manobras legislativas e judiciais, enquanto o
cidadão comum, especialmente o periférico, é esmagado pelo peso total da lei
por infrações mínimas. Essa justiça seletiva é o combustível que alimenta a
desigualdade abissal que tentamos combater todos os dias nas ruas e nas
redações.
É
inaceitável que, em um país com milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da
pobreza, o dinheiro público seja desviado para manter estilos de vida que
lembram a monarquia. Cada centavo desviado em um esquema de corrupção ou gasto
em privilégios desnecessários de autoridades representa uma criança sem
merenda, um posto de saúde sem esparadrapo e um futuro roubado da juventude que
mora nas nossas periferias. O abuso de poder é, em última análise, um ato de
violência contra os mais pobres.
Os políticos falam em moralidade diante das câmeras, mas nos bastidores articulam como manter o controle da máquina pública a qualquer custo, tratando o Estado como se fosse o quintal de suas casas. A falta de transparência e o aparelhamento das instituições de fiscalização são as ferramentas preferidas desses algozes do povo. Precisamos dar nome aos bois e exigir que os órgãos de controle não sejam meros espectadores dessa farra com o suor do trabalhador brasileiro.
A solução para estancar essa sangria passa obrigatoriamente pelo fortalecimento do controle social e pela implementação de auditorias independentes e populares. Não basta apenas votar; é preciso exigir mecanismos de 'recall' de mandatos para quem trai a confiança pública e a criação de conselhos comunitários com poder real de veto sobre gastos governamentais suspeitos. A política deve voltar a ser ferramenta de transformação social, e não um balcão de negócios. Até quando vamos permitir que eles governem para si mesmos em vez de governarem para nós?




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