Brasil atinge marca histórica de desenvolvimento humano, mas a nação não pode esquecer quem tentou nos empurrar para o abismo social.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais
| O IDH sob Bolsonaro foi um desastre anunciado. |
A queda da
expectativa de vida durante a gestão de Jair Bolsonaro foi um dos episódios
mais cruéis da nossa história republicana. Perder 2,5 anos de vida média em um
país que vinha avançando desde a década de 90 é um crime de lesa-pátria.
Enquanto o Palácio do Planalto debochava de quem buscava oxigênio, o IDH
despencava porque a vida do povo tinha deixado de ser prioridade. A saúde
pública foi tratada como um gasto incômodo, e o resultado foi esse buraco de
700 mil mortes que agora, com muito esforço e vacinação em massa, o governo
Lula começa a estancar.
Na educação,
o cenário não foi diferente. Assistimos a um Ministério da Educação
transformado em trincheira de guerra cultural, enquanto estados e municípios
eram abandonados à própria sorte durante a pandemia. O impacto disso na
juventude negra e parda de lugares como a nossa São Luís é imensurável. O
apagão educacional bolsonarista tentou roubar o futuro de uma geração inteira
para alimentar o ego de ministros que preferiam perseguir professores a equipar
escolas. Ver o subíndice de educação subir agora para 0,798 com a volta das
condicionalidades do Bolsa Família é a prova de que o Estado voltou a funcionar
como escudo para os mais pobres.
A economia
da fome, que empurrou 33 milhões de brasileiros para a insegurança alimentar,
foi a face mais perversa daquele período. Quando ajustamos o IDH pela
desigualdade, o Brasil de Bolsonaro era rebaixado para a categoria de
desenvolvimento médio. Isso significa que, para quem estava no topo, tudo ia
bem, mas para a maioria que vive do salário mínimo, a realidade era de
desespero. O avanço atual, impulsionado pela valorização real do mínimo e pela
queda do desemprego, mostra que o crescimento só faz sentido se for
distribuído. O Nordeste, tantas vezes atacado pelo preconceito do sulismo
extremista, hoje é motor desse avanço, com cidades como Teresina e Natal dando
lições de recuperação.
A conquista
do IDH de 0,805 é uma vitória da política pública sobre o ódio. No entanto, não
podemos baixar a guarda. Índices podem ser destruídos com uma canetada se o
comando do país voltar para as mãos de quem despreza a ciência e a justiça
social. O caminho agora é blindar essas conquistas. Precisamos de uma reforma
tributária que taxe as grandes fortunas para financiar permanentemente o SUS e
a educação integral, garantindo que o desenvolvimento humano seja uma cláusula
pétrea da nossa democracia, e não um capricho que muda a cada eleição. O Brasil
voltou ao topo, mas o desafio é fazer com que cada brasileiro sinta esse número
no prato e na carteira.




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