Emenda que adia o fim da escala 6x1 por dez anos e corta FGTS é um ataque direto à dignidade de quem carrega o país nas costas.
Por:
Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais
| O trabalhador exausto não aceita o deboche da emenda Turra! |
Como se não
bastasse o adiamento criminoso, a chamada 'Emenda nº 1' traz armadilhas que
beiram o absurdo. O texto propõe que a jornada possa chegar a 52 horas semanais
através de acordos individuais — um cenário onde sabemos que o patrão sempre
tem a força e o empregado apenas a necessidade. De quebra, o projeto ainda quer
cortar pela metade o recolhimento do FGTS patronal, reduzindo de 8% para 4%. Ou
seja, o plano é fazer você trabalhar mais, descansar menos e ainda ter seu
fundo de garantia saqueado. É a oficialização da precarização sob o manto de
uma falsa modernização legislativa.
A estratégia
de condicionar a redução da jornada a uma nova Lei Complementar, mesmo após os
dez anos de espera, é outro golpe baixo. É a famosa tática de criar
dificuldades para nunca entregar o benefício, deixando o direito fundamental do
trabalhador pendurado em vontades políticas futuras que podem nunca se
concretizar. Para setores essenciais como saúde, infraestrutura e segurança, a
punição é perpétua: o limite de 44 horas seria mantido, ignorando que são justamente
esses profissionais os que mais sofrem com o burnout e o colapso mental no
Brasil atual.
Aqui em São Luís, assim como em cada canto deste país, o impacto dessa 'sabotagem' seria devastador. O setor de serviços, que é o coração da nossa economia local, continuaria sugando a energia vital de milhares de pais e mães de família em troca de salários que mal cobrem o básico, enquanto as grandes empresas seriam presenteadas com isenções de INSS. Trata-se de uma transferência de renda perversa: retira-se do suor e da saúde do pobre para garantir que a planilha de custos das grandes corporações permaneça intocada.
Não podemos aceitar que o cansaço do povo seja usado como moeda de troca no Congresso Nacional. A solução não é adiar o óbvio, mas enfrentar a desigualdade de frente com coragem política. O caminho prático e urgente é a rejeição total dessa emenda e a aprovação da redução da jornada sem cortes de direitos ou de salários. Se o problema é o custo, que se taxe os lucros e dividendos dos bilionários para financiar a transição, em vez de punir quem já não tem mais forças para carregar esse fardo. Dignidade não se parcela em dez anos. A luta pelo descanso é para ontem.




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