No tabuleiro de Brasília, a realidade tornou-se um acessório descartável na luta pelo domínio da opinião pública.
Por: Altair Inácio
Colunista de análise política crítica
| Governo e oposição disputam o controle do seu celular. |
A oposição,
ainda profundamente intoxicada pelo roteiro herdado do bolsonarismo,
aperfeiçoou a técnica do espantalho. Cria-se um problema inexistente, escala-se
o tom moralista e, quando o governo tenta explicar a realidade técnica, a
audiência já está capturada pela próxima indignação fabricada. É uma estratégia
de guerrilha informacional que ignora a complexidade do Estado para oferecer
soluções de 30 segundos, invariavelmente regadas a um patriotismo de fachada e
muita conveniência eleitoral.
Por outro
lado, o governo tenta equilibrar-se em um cabo de aço entre a necessidade de
comunicar avanços econômicos e a armadilha de reagir a cada provocação digital.
O desafio é hercúleo: como explicar a recuperação de políticas públicas
complexas em um ambiente onde o ruído é ensurdecedor? Frequentemente, a gestão
atual perde-se na própria burocracia narrativa, demorando a ocupar os espaços
vazios que são rapidamente preenchidos pelo ódio articulado e bem financiado do
outro lado.
No Maranhão, observamos esse fenômeno com nuances paroquiais, mas igualmente perversas. As alianças de bastidor tentam manter a aparência de coesão, enquanto nas redes, os grupos políticos se digladiam em uma encenação de oposição que, muitas vezes, esconde interesses comuns de manutenção de privilégios. A narrativa aqui não serve apenas para ganhar votos, mas para blindar estruturas de poder e garantir que o status quo permaneça inalterado sob uma nova e reluzente roupagem digital.
O perigo desse cenário de pós-verdade é o esvaziamento irreversível do debate democrático. Quando tudo é reduzido a uma disputa de versões, o fato concreto deixa de existir. O cidadão, bombardeado por mensagens conflitantes e emocionalmente carregadas, acaba por se refugiar em sua própria bolha, validando apenas o que confirma seus preconceitos. Ao final do dia, a vitória de uma narrativa sobre a outra raramente se traduz em melhoria na vida real; é apenas mais um troféu simbólico em uma capital que prefere o brilho das telas ao horizonte do povo.




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