Bancada do agronegócio avança sobre leis de proteção e ameaça o futuro dos biomas brasileiros em benefício de poucos latifundiários.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais
| Estão entregando nossas riquezas para os grandes latifundiários. |
A medida
mais escandalosa é a que tenta amordaçar a fiscalização por satélite. Imagine
você que agora, para multar um desmatador, o governo precisa 'avisar' o
proprietário antes. É o mesmo que a polícia ligar para o assaltante dizendo que
está chegando para uma revista. Isso não é lei, é um salvo-conduto para a
grilagem de terras. O Brasil é um país continental e, sem o monitoramento
remoto e eficaz, o crime ambiental vai correr solto nas barbas da autoridade,
premiando quem invade terras públicas e desmata ilegalmente para expandir seus
lucros individuais à custa do patrimônio coletivo.
Mas o
apetite dessa elite não parou por aí. Eles querem permitir o desmatamento de
campos naturais no Pampa e no Pantanal, biomas que já estão em agonia. Para
piorar, decidiram que quem deve cuidar das espécies em extinção não é mais o
Ministério do Meio Ambiente, mas sim o Ministério da Agricultura. É
literalmente colocar a raposa para cuidar do galinheiro. Como podemos esperar
que um ministério focado em produção em larga escala e exportação tenha o mesmo
rigor para proteger uma planta ou um animal que atrapalha o avanço de uma
plantação de soja? A resposta é óbvia: não haverá proteção, apenas exploração.
A redução da
Floresta Nacional do Jamanxim para uma simples Área de Proteção Ambiental (APA)
é outro crime anunciado. Na prática, isso retira camadas de segurança jurídica
que impediam a invasão e o desmatamento desenfreado naquela região. O que vemos
em Brasília é um parlamento que trabalha como um escritório de advocacia para
latifundiários e grandes empresários do campo. Enquanto eles ganham isenções e
leis sob medida, o povo lá na ponta sofre com a falta de água, com as secas
severas e com o aumento do preço dos alimentos causado pelo desequilíbrio
climático que essas mesmas leis provocam.
Não podemos aceitar que o futuro dos nossos filhos seja vendido em mesas de negociação obscuras no Congresso Nacional. É fundamental que a população entenda que o meio ambiente não é um tema isolado, mas uma questão de sobrevivência e de economia popular. Quem paga o preço da destruição é a gente, em São Luís, no interior do Maranhão ou em qualquer periferia do Brasil. O poder de mudança está na nossa mão, no acompanhamento rigoroso de como cada deputado vota. Se eles votam contra a nossa terra e o nosso futuro, não podem ter o nosso voto na próxima eleição.
A solução passa pela transparência absoluta e pela pressão popular organizada. Precisamos exigir a criação de um 'Placar da Destruição' permanente, onde cada cidadão possa ver quem são os políticos que estão rifando nossos biomas. Além disso, é urgente fortalecer os conselhos populares e as organizações de base para cobrar que o Executivo use seu poder de veto contra esses absurdos. A política só serve se for para atender as necessidades de quem realmente precisa, e não para aumentar o cofre de quem já tem quase tudo.




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