segunda-feira, 25 de maio de 2026

O BANQUETE DOS RICOS E A CONTA QUE O POVO VAI PAGAR

Bancada do agronegócio avança sobre leis de proteção e ameaça o futuro dos biomas brasileiros em benefício de poucos latifundiários.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais

Estão entregando nossas riquezas
para os grandes latifundiários.
Enquanto o brasileiro comum luta para colocar comida na mesa e enfrentar o calor extremo, em Brasília o clima é de festa para os donos de terra. A chamada 'semana da destruição do meio ambiente' na Câmara dos Deputados não foi um acidente, mas um projeto orquestrado. A bancada do agronegócio, que muitas vezes parece mandar mais no país do que o próprio povo, aprovou medidas que são um verdadeiro tapa na cara de quem defende a justiça social. Eles não estão apenas mexendo em árvores; estão destruindo a nossa capacidade de sobreviver e de proteger o que ainda resta de riqueza natural que pertence a todos, e não a uma elite de botinas luxuosas.

A medida mais escandalosa é a que tenta amordaçar a fiscalização por satélite. Imagine você que agora, para multar um desmatador, o governo precisa 'avisar' o proprietário antes. É o mesmo que a polícia ligar para o assaltante dizendo que está chegando para uma revista. Isso não é lei, é um salvo-conduto para a grilagem de terras. O Brasil é um país continental e, sem o monitoramento remoto e eficaz, o crime ambiental vai correr solto nas barbas da autoridade, premiando quem invade terras públicas e desmata ilegalmente para expandir seus lucros individuais à custa do patrimônio coletivo.

Mas o apetite dessa elite não parou por aí. Eles querem permitir o desmatamento de campos naturais no Pampa e no Pantanal, biomas que já estão em agonia. Para piorar, decidiram que quem deve cuidar das espécies em extinção não é mais o Ministério do Meio Ambiente, mas sim o Ministério da Agricultura. É literalmente colocar a raposa para cuidar do galinheiro. Como podemos esperar que um ministério focado em produção em larga escala e exportação tenha o mesmo rigor para proteger uma planta ou um animal que atrapalha o avanço de uma plantação de soja? A resposta é óbvia: não haverá proteção, apenas exploração.

A redução da Floresta Nacional do Jamanxim para uma simples Área de Proteção Ambiental (APA) é outro crime anunciado. Na prática, isso retira camadas de segurança jurídica que impediam a invasão e o desmatamento desenfreado naquela região. O que vemos em Brasília é um parlamento que trabalha como um escritório de advocacia para latifundiários e grandes empresários do campo. Enquanto eles ganham isenções e leis sob medida, o povo lá na ponta sofre com a falta de água, com as secas severas e com o aumento do preço dos alimentos causado pelo desequilíbrio climático que essas mesmas leis provocam.

Não podemos aceitar que o futuro dos nossos filhos seja vendido em mesas de negociação obscuras no Congresso Nacional. É fundamental que a população entenda que o meio ambiente não é um tema isolado, mas uma questão de sobrevivência e de economia popular. Quem paga o preço da destruição é a gente, em São Luís, no interior do Maranhão ou em qualquer periferia do Brasil. O poder de mudança está na nossa mão, no acompanhamento rigoroso de como cada deputado vota. Se eles votam contra a nossa terra e o nosso futuro, não podem ter o nosso voto na próxima eleição.

A solução passa pela transparência absoluta e pela pressão popular organizada. Precisamos exigir a criação de um 'Placar da Destruição' permanente, onde cada cidadão possa ver quem são os políticos que estão rifando nossos biomas. Além disso, é urgente fortalecer os conselhos populares e as organizações de base para cobrar que o Executivo use seu poder de veto contra esses absurdos. A política só serve se for para atender as necessidades de quem realmente precisa, e não para aumentar o cofre de quem já tem quase tudo.

0 comentários:

Postar um comentário

Buscar no Site