Brasil atinge marca histórica de desenvolvimento humano, mas a nação não pode esquecer quem tentou nos empurrar para o abismo social.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e defensora de direitos sociais
| O IDH sob Bolsonaro foi um desastre anunciado. |
O Brasil finalmente rompeu a barreira do índice de 0,800 e entrou no seleto grupo de nações com 'muito alto' desenvolvimento humano. Chegar aos 0,805 em 2024 não é apenas uma vitória estatística; é um respiro de alívio para um povo que foi asfixiado por quatro anos de um projeto de poder que flertou abertamente com a barbárie. O relatório do PNUD escancara o que nós, que sentimos o chão da periferia, já sabíamos: o governo anterior não foi apenas incompetente, foi um arquiteto do retrocesso. Entre 2019 e 2022, o Brasil não apenas parou; ele andou de marcha à ré, jogando milhões na fome e enterrando brasileiros antes do tempo por puro negacionismo.
A queda da
expectativa de vida durante a gestão de Jair Bolsonaro foi um dos episódios
mais cruéis da nossa história republicana. Perder 2,5 anos de vida média em um
país que vinha avançando desde a década de 90 é um crime de lesa-pátria.
Enquanto o Palácio do Planalto debochava de quem buscava oxigênio, o IDH
despencava porque a vida do povo tinha deixado de ser prioridade. A saúde
pública foi tratada como um gasto incômodo, e o resultado foi esse buraco de
700 mil mortes que agora, com muito esforço e vacinação em massa, o governo
Lula começa a estancar.
Na educação,
o cenário não foi diferente. Assistimos a um Ministério da Educação
transformado em trincheira de guerra cultural, enquanto estados e municípios
eram abandonados à própria sorte durante a pandemia. O impacto disso na
juventude negra e parda de lugares como a nossa São Luís é imensurável. O
apagão educacional bolsonarista tentou roubar o futuro de uma geração inteira
para alimentar o ego de ministros que preferiam perseguir professores a equipar
escolas. Ver o subíndice de educação subir agora para 0,798 com a volta das
condicionalidades do Bolsa Família é a prova de que o Estado voltou a funcionar
como escudo para os mais pobres.
A economia da fome, que empurrou 33 milhões de brasileiros para a insegurança alimentar, foi a face mais perversa daquele período. Quando ajustamos o IDH pela desigualdade, o Brasil de Bolsonaro era rebaixado para a categoria de desenvolvimento médio. Isso significa que, para quem estava no topo, tudo ia bem, mas para a maioria que vive do salário mínimo, a realidade era de desespero. O avanço atual, impulsionado pela valorização real do mínimo e pela queda do desemprego, mostra que o crescimento só faz sentido se for distribuído. O Nordeste, tantas vezes atacado pelo preconceito do sulismo extremista, hoje é motor desse avanço, com cidades como Teresina e Natal dando lições de recuperação.
A conquista do IDH de 0,805 é uma vitória da política pública sobre o ódio. No entanto, não podemos baixar a guarda. Índices podem ser destruídos com uma canetada se o comando do país voltar para as mãos de quem despreza a ciência e a justiça social. O caminho agora é blindar essas conquistas. Precisamos de uma reforma tributária que taxe as grandes fortunas para financiar permanentemente o SUS e a educação integral, garantindo que o desenvolvimento humano seja uma cláusula pétrea da nossa democracia, e não um capricho que muda a cada eleição. O Brasil voltou ao topo, mas o desafio é fazer com que cada brasileiro sinta esse número no prato e na carteira.




0 comentários:
Postar um comentário