sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A ELITE QUER O SEU COURO, MAS O POVO QUER DIGNIDADE

Valdemar, Rueda e o cinismo de quem nunca bateu um ponto na vida contra o fim da escala 6x1.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política

O Brasil não pode ser o quintal da escravidão moderna.
É de embrulhar o estômago ver Valdemar Costa Neto e Antônio Rueda rindo e prometendo a empresários que vão 'dar a vida' para impedir o fim da escala 6x1. Enquanto o trabalhador brasileiro acorda às cinco da manhã, pega três ônibus e mal vê os filhos para garantir o lucro desses mesmos senhores, a cúpula do PL e do União Brasil se reúne em salas com ar-condicionado para decidir que você não merece um segundo dia de folga. Eles sabem que a pauta é popular — 73% do povo quer o fim dessa escravidão moderna —, por isso o plano é covarde: querem segurar o projeto na gaveta até 2027 para não passarem vergonha nas urnas agora. É o poder agindo contra quem sustenta este país.

Como se não bastasse o cinismo político, ainda temos que aguentar o Pastor Marcos Pereira dizendo que 'ócio demais faz mal'. É de uma crueldade sem limites sugerir que o trabalhador pobre, se tiver tempo livre, vai cair nas drogas ou no crime porque não tem dinheiro para lazer. Isso é puro preconceito de classe travestido de preocupação moral. O que o pastor chama de ócio perigoso, nós chamamos de direito humano: é o direito de esticar as pernas, de assistir uma novela com a família, de brincar com o neto ou simplesmente de não fazer nada sem sentir o peso da exaustão nas costas. Lazer não é só viagem de luxo; o descanso é a base da dignidade.

Essa conversa fiada de que 'mais trabalho significa mais prosperidade' é a maior mentira contada pela elite. Prosperidade para quem? Para o patrão, que troca de carro importado todo ano, ou para o empregado, que adoece de burnout e morre cedo porque o corpo não aguenta a pressão? O México já entendeu o recado e aprovou a redução da jornada. Testes no mundo inteiro mostram que trabalhador descansado rende mais, erra menos e fica menos doente. Manter a escala 6x1 é uma escolha política pelo atraso, é querer manter o Brasil com mentalidade de colônia enquanto o resto do mundo caminha para o futuro.

O relator Hugo Mota está certo em querer votar isso até maio, o mês do trabalhador. Ele não faz isso por bondade, faz porque sabe que essa pauta 'dá voto' e que o povo está de olho. O medo do PL e do União Brasil é exatamente esse: o plenário. Eles sabem que, se a votação for aberta, nenhum deputado terá coragem de olhar na cara do eleitor e dizer que é contra o descanso semanal digno. Por isso, a tática deles é a obstrução, o tapetão e a conversa de pé de ouvido com o grande capital. Eles querem legislar para uma elite minúscula e ignorar a maioria esmagadora que carrega o Brasil nas costas.

Não podemos aceitar que o cansaço do povo seja moeda de troca no Congresso Nacional. A proposta de solução é clara: pressão total e absoluta em cima dos presidentes de partido e dos membros da CCJ. O recado tem que ser direto: quem votar contra o fim do 6x1, ou quem tentar esconder o projeto na gaveta, não terá o nosso voto nunca mais. Precisamos exigir que a votação ocorra em maio, sem adiamentos. A pergunta que fica para Valdemar e seus aliados é simples: se o trabalho dignifica o homem, por que o descanso de quem trabalha tanto incomoda tanto vocês? Escrever para incomodar o poder — e proteger quem sempre paga a conta.

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