| A desinformação é o cupim da nossa democracia. |
O
bolsonarismo, mestre supremo nessa arte das sombras, transformou o
ressentimento em algoritmo. Não se trata apenas de 'fake news' no sentido
estrito, mas de uma narrativa paralela que sequestra símbolos nacionais e
sentimentos religiosos para criar um inimigo imaginário. Quando a mentira é
embalada com o selo do 'divino' ou da 'família', ela deixa de ser uma falha de
caráter para se tornar uma missão de fé. A hipocrisia moral atinge seu ápice
quando os maiores propagadores de calúnias são os mesmos que desfilam com a
Bíblia debaixo do braço, ignorando o mandamento que proíbe o falso testemunho.
Em São Luís,
como em tantas capitais brasileiras, o fenômeno se repete com sotaque local.
Alianças políticas são costuradas no submundo dos grupos de mensagens, onde a
reputação alheia é moída por perfis apócrifos que servem a senhores bem
conhecidos do Palácio. A manipulação da opinião pública através do medo — o
medo do comunismo, o medo da mudança, o medo do outro — é a ferramenta mais
barata e eficaz para manter o status quo de oligarquias que apenas mudam de
sobrenome, mas mantêm o mesmo apetite pelo erário.
A ética pública
tornou-se um adereço incômodo para essa nova classe política que floresce no
lodo da desinformação. Ao questionar as instituições e atacar o jornalismo
profissional, esses agentes pavimentam o caminho para o autoritarismo. Afinal,
se não existe verdade compartilhada, não pode haver diálogo; e sem diálogo,
resta apenas a imposição da força ou do grito. A desinformação é o cupim da
democracia, corroendo as vigas do pacto social enquanto a plateia se distrai
com a polêmica da vez.




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