sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

ANISTIA AOS GOLPISTAS: UM CONVITE AO PRÓXIMO CRIME

Anistia é o tapete para esconder a vergonha nacional.

O projeto de anistia aos golpistas de janeiro não é um gesto de pacificação, mas um salvo-conduto para o próximo atentado contra a República.


Por: Altair Inácio
Jornalista e Colunista

É fascinante observar a agilidade da nossa burocracia legislativa quando o objetivo é estender um tapete vermelho para a impunidade. Mal as cicatrizes nos vidros do Palácio do Planalto foram polidas, e já havia um movimento frenético nos corredores de Brasília para transformar o vandalismo golpista em um mal-entendido entre vizinhos. O projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro não é, como pregam seus defensores, um gesto de 'pacificação nacional', mas sim um salvo-conduto perigoso para a próxima tentativa de ruptura.

Historicamente, o Brasil tem o péssimo hábito de varrer seus traumas para debaixo do tapete. Fizemos isso na transição da ditadura militar, acreditando que o silêncio traria estabilidade. O resultado? Décadas depois, vimos florescer o mesmo extremismo que clama por intervenção, alimentado pela certeza de que o crime político, por aqui, não gera castigo. A anistia que se desenha agora é a repetição desse erro trágico, uma tentativa de apagar a memória institucional em nome de uma conveniência política imediatista e rasteira.

O cinismo atinge níveis estratosféricos quando parlamentares que flertaram com a insurreição agora posam de defensores dos 'vovôs e vovós' detidos. Ignoram, deliberadamente, que a punição não visa apenas a retribuição pelo dano material, mas a reafirmação de que o Estado Democrático de Direito não é negociável. Anistiar quem tentou subverter o resultado das urnas é dar um tapinha nas costas do autoritarismo e dizer: 'tente novamente, na próxima talvez você tenha mais sorte'.

Justiça sem accountability é apenas um teatro de sombras. Se o Congresso levar adiante essa blindagem coletiva, estará assinando a certidão de óbito da autoridade moral das instituições brasileiras. A democracia exige coragem para punir quem a ataca, sob pena de se tornar cúmplice da sua própria destruição. Que não se enganem: a pacificação sem justiça é apenas o intervalo para o próximo caos.

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