São Luís assiste a um balé de conveniências onde a ética é apenas um acessório de campanha e a fé, uma moeda de troca.
| Alianças por conveniência e fé por estratégia. |
Enquanto
isso, a Câmara Municipal de São Luís se transforma em um balcão de negócios que
faria inveja aos antigos coronéis do sertão. A lealdade dos nossos
parlamentares flutua com a mesma velocidade das marés da Baía de São Marcos. O
que vemos não é um debate sobre o transporte público caótico ou a saúde
precária nas periferias, mas sim uma disputa feroz por nacos de poder e espaços
nas secretarias. A moralidade, tão evocada nos discursos de tribuna, parece ter
um prazo de validade curto, expirando assim que o primeiro acordo de bastidor é
selado com o Palácio dos Leões ou com a Prefeitura.
O fator
religioso, claro, não poderia ficar de fora. A instrumentalização da fé
tornou-se o combustível preferido dos aspirantes a salvadores da pátria
ludovicense. Candidatos que nunca pisaram em uma missa ou culto de periferia
agora surgem como paladinos dos 'valores da família', usando a Bíblia como escudo
para esconder a ausência de projetos reais para a desigualdade abissal que
corta a nossa capital. É a hipocrisia elevada à categoria de arte política,
onde o dízimo da atenção do eleitor é cobrado com promessas vazias de redenção
administrativa.
Não podemos
ignorar a sombra projetada pelo Palácio dos Leões. O governo de Carlos Brandão
observa o tabuleiro municipal com a paciência de quem sabe que, no Maranhão, o
poder estadual é o sol em torno do qual todos os planetas menores orbitam. As
alianças que se formam e se desfazem em São Luís são, em última análise, um
ensaio para as próximas grandes batalhas estaduais. O ludovicense, no meio
desse fogo cruzado, é tratado como um detalhe estatístico, alguém que deve ser
convencido pelo medo ou pela gratidão, mas raramente pela razão ou pelo debate
de ideias.
A
desinformação, ou as famigeradas fake news, completam esse cenário dantesco.
Grupos de WhatsApp tornaram-se tribunais sumários onde reputações são
assassinadas por encomenda. O bolsonarismo, mesmo em retração nacional, deixou
aqui a sua herança maldita: a negação do diálogo e a demonização do adversário.
Em São Luís, política não é mais sobre o bem comum, mas sobre quem grita mais
alto ou quem consegue espalhar a mentira mais convincente antes do dia da
eleição.
Por fim,
resta ao cidadão consciente o papel de crítico dessa ópera bufa. Precisamos
desmascarar o 'novo' que cheira a mofo e exigir que a ética não seja apenas um
slogan de campanha, mas um compromisso inegociável. A história de São Luís
merece mais do que o atual revezamento de oligarquias e personalismos. O
despertar da Ilha passa, obrigatoriamente, pelo fim da passividade diante desse
teatro de sombras que insiste em nos manter no passado.




0 comentários:
Postar um comentário