segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

POR QUE A BAIXA DOS COMBUSTÍVEIS NÃO CHEGA NA SUA BOMBA?

Sem a BR Distribuidora o preço da gasolina não baixa.

A venda estratégica da BR Distribuidora e da Liquigás desmonta a regulação de preços e asfixia o bolso do ludovicense.

Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista

A solução exige uma revisão profunda das agências reguladoras e o fortalecimento de parcerias que forcem a competitividade no setor de distribuição. O Brasil precisa criar novos mecanismos que obriguem o repasse das reduções de preço, impedindo que o lucro de poucos continue sufocando o cotidiano de muitos. É hora de cobrar responsabilidade de quem lucra com a nossa energia e exigir que a política econômica volte a servir quem realmente produz a riqueza da nação.

O vídeo que circula nas redes sociais, protagonizado pelo pastor Otoni de Paula, traz um choque de realidade para quem ainda acredita em contos de fadas sobre privatizações cegas. O desabafo do líder religioso, ex-apoiador do governo anterior, joga luz sobre uma ferida aberta no cotidiano de São Luís: o preço do combustível e do gás de cozinha. O problema não reside apenas na refinaria, mas no caminho que o produto percorre até chegar ao consumidor final, onde a lógica do lucro máximo atropela qualquer interesse social.

A extinção do controle estatal sobre a BR Distribuidora e a Liquigás revela-se hoje como uma estratégia desastrosa de Paulo Guedes e Jair Bolsonaro. Essas empresas funcionavam como um freio de mão para o mercado, garantindo que a redução de preços anunciada pela Petrobras fosse efetivamente repassada aos postos. Sem essas ferramentas de regulação, o governo perde a capacidade de intervir na ponta da linha, deixando o cidadão à mercê de distribuidoras privadas que ignoram o bem-estar da população.

O mercado privado opera sob a égide exclusiva do dividendo e não possui compromisso com o controle inflacionário ou com a segurança alimentar das famílias maranhenses. Quando o preço internacional cai, essas empresas optam por reter a margem de lucro em vez de aliviar o peso no orçamento doméstico de quem precisa encher o tanque para trabalhar. A venda dessas estatais por valores abaixo do mercado configura um crime contra o patrimônio público que o Brasil pagará por décadas.

A comparação com a privatização da telefonia, citada por Otoni de Paula, serve para mostrar a diferença entre concorrência real e monopólio privado. Enquanto no setor de telecomunicações a chegada de várias operadoras derrubou preços e melhorou o serviço, no setor de energia o que vemos é um cartel institucionalizado. O combustível é um bem essencial, e tratar sua distribuição como se fosse um acessório de luxo é ignorar a base da economia popular.

O pastor Otoni de Paula agora expõe o arrependimento de quem viu a prática destruir a teoria liberal defendida no palanque. Ele reconhece que a política econômica do governo anterior foi um motor de desigualdade, vendendo o almoço para comprar o jantar de investidores estrangeiros. Essa mudança de postura de uma liderança evangélica bolsonarista sinaliza uma rachadura profunda na narrativa de que o livre mercado resolve todos os problemas estruturais do país.

O governo atual enfrenta agora o desafio de governar com as mãos atadas por esse desmonte planejado. Retomar a soberania sobre a cadeia de distribuição é uma tarefa hercúlea, pois os contratos já estão assinados e o patrimônio já foi entregue a preço de banana. Cada centavo a mais que o morador de São Luís paga no litro da gasolina é um lembrete direto das escolhas ideológicas que priorizaram o mercado financeiro em detrimento do povo.

A política de preços não é apenas um gráfico de computador; ela é a diferença entre a família conseguir comprar carne ou ter que cozinhar com lenha. O desmonte da Liquigás, especificamente, atinge os mais pobres de forma cruel, transformando o botijão de gás em um item de difícil acesso. O discurso de eficiência da iniciativa privada cai por terra quando o serviço se torna mais caro e a regulação estatal desaparece por completo.

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