| Sem a BR Distribuidora o preço da gasolina não baixa. |
Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista
O vídeo que
circula nas redes sociais, protagonizado pelo pastor Otoni de Paula, traz um
choque de realidade para quem ainda acredita em contos de fadas sobre
privatizações cegas. O desabafo do líder religioso, ex-apoiador do governo
anterior, joga luz sobre uma ferida aberta no cotidiano de São Luís: o preço do
combustível e do gás de cozinha. O problema não reside apenas na refinaria, mas
no caminho que o produto percorre até chegar ao consumidor final, onde a lógica
do lucro máximo atropela qualquer interesse social.
A extinção
do controle estatal sobre a BR Distribuidora e a Liquigás revela-se hoje como
uma estratégia desastrosa de Paulo Guedes e Jair Bolsonaro. Essas empresas
funcionavam como um freio de mão para o mercado, garantindo que a redução de
preços anunciada pela Petrobras fosse efetivamente repassada aos postos. Sem
essas ferramentas de regulação, o governo perde a capacidade de intervir na
ponta da linha, deixando o cidadão à mercê de distribuidoras privadas que
ignoram o bem-estar da população.
O mercado
privado opera sob a égide exclusiva do dividendo e não possui compromisso com o
controle inflacionário ou com a segurança alimentar das famílias maranhenses.
Quando o preço internacional cai, essas empresas optam por reter a margem de
lucro em vez de aliviar o peso no orçamento doméstico de quem precisa encher o
tanque para trabalhar. A venda dessas estatais por valores abaixo do mercado
configura um crime contra o patrimônio público que o Brasil pagará por décadas.
A comparação
com a privatização da telefonia, citada por Otoni de Paula, serve para mostrar
a diferença entre concorrência real e monopólio privado. Enquanto no setor de
telecomunicações a chegada de várias operadoras derrubou preços e melhorou o
serviço, no setor de energia o que vemos é um cartel institucionalizado. O
combustível é um bem essencial, e tratar sua distribuição como se fosse um
acessório de luxo é ignorar a base da economia popular.
O pastor Otoni
de Paula agora expõe o arrependimento de quem viu a prática destruir a teoria
liberal defendida no palanque. Ele reconhece que a política econômica do
governo anterior foi um motor de desigualdade, vendendo o almoço para comprar o
jantar de investidores estrangeiros. Essa mudança de postura de uma liderança
evangélica bolsonarista sinaliza uma rachadura profunda na narrativa de que o
livre mercado resolve todos os problemas estruturais do país.
O governo
atual enfrenta agora o desafio de governar com as mãos atadas por esse desmonte
planejado. Retomar a soberania sobre a cadeia de distribuição é uma tarefa
hercúlea, pois os contratos já estão assinados e o patrimônio já foi entregue a
preço de banana. Cada centavo a mais que o morador de São Luís paga no litro da
gasolina é um lembrete direto das escolhas ideológicas que priorizaram o
mercado financeiro em detrimento do povo.
A política
de preços não é apenas um gráfico de computador; ela é a diferença entre a família
conseguir comprar carne ou ter que cozinhar com lenha. O desmonte da Liquigás,
especificamente, atinge os mais pobres de forma cruel, transformando o botijão
de gás em um item de difícil acesso. O discurso de eficiência da iniciativa
privada cai por terra quando o serviço se torna mais caro e a regulação estatal
desaparece por completo.




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