| O trabalhador não é uma máquina de lucro infinito." |
Jornalista e Comentarista Política
Em recente
comentário no Jornal da Band o jornalista Eduardo Oinegue, faz as seguintes
falas: “Pega dois trabalhadores, um brasileiro e um americano. O americano
produz quatro vezes mais. [...] O que um americano fabrica numa semana, a gente
aqui no Brasil precisa de um mês para produzir."
É de uma
desonestidade intelectual gritante ver jornalista de gravata, em estúdio
climatizado, apontar o dedo para o trabalhador brasileiro e chamá-lo de
'improdutivo'. A comparação rasa com o trabalhador americano não passa de uma
tática de manipulação para manter o nosso povo de cabeça baixa. Eles esquecem —
ou fingem esquecer — que a produtividade de um país não depende apenas do suor
da testa, mas de investimento em tecnologia, infraestrutura e, principalmente,
dignidade humana. Comparar um país que sofre com transporte público precário e
fome com uma potência armada de subsídios é, no mínimo, crueldade.
Mais à
frente o mesmo âncora afirma: "O Brasil é um país improdutivo." Há
uma exceção aqui, outra ali, como o agro”. [...] Esse discurso de que 'o
brasileiro produz pouco' é a herança maldita do pensamento escravocrata que
atravessa gerações na elite brasileira. Para essa gente, o trabalhador não é um
cidadão com direitos, mas uma ferramenta que deve ser explorada até o bagaço.
Quando dizem que o Brasil é improdutivo, o que eles realmente querem dizer é
que o lucro deles seria maior se pudéssemos trabalhar 24 horas por dia sem
reclamar. É a lógica do chicote moderno, agora disfarçada de 'índices de
competitividade'.
A exceção
feita ao 'agro' no comentário desse jornalista não é por acaso. O agronegócio
no Brasil é tratado como uma divindade intocável porque é ali que o grande
capital se concentra. O agro é 'produtivo' à custa de isenções fiscais
bilionárias, perdão de dívidas e o uso desenfreado de veneno, enquanto o trabalhador
da cidade, que pega três ônibus para chegar ao serviço, é tratado como o vilão
da economia. Já sabemos muito bem a quem esses microfones servem e qual
bandeira eles defendem: a do lucro de poucos sobre a miséria de muitos.
Por fim, o
jornalista dispara: "E reduzir a jornada de trabalho sem redução salarial
vai fazer o Brasil ficar ainda mais improdutivo, menos competitivo." Reduzir
a jornada de trabalho sem reduzir o salário não é um 'atraso', é uma
necessidade humanitária e de saúde pública. Países desenvolvidos já entenderam
que gente descansada e feliz produz melhor e consome mais. Mas aqui, a elite de
direita e extrema-direita prefere a política da exaustão. Eles temem que o
trabalhador tenha tempo para estudar, para ficar com a família ou, pior ainda,
tempo para pensar e se revoltar contra as injustiças que eles mesmos promovem.
Chega de
aceitar que nos chamem de preguiçosos enquanto sustentamos esse país nas
costas. A solução para a produtividade não está em aumentar as horas de
escravidão, mas em taxar as grandes fortunas, investir seriamente em educação
tecnológica e garantir que o lucro do agro também chegue na mesa de quem passa
fome no Maranhão e no resto do Brasil. Questiono aqui: até quando vamos
permitir que a narrativa de quem nunca pegou um ônibus lotado defina o valor do
nosso trabalho?




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