segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

BATENDO “CONTINÊCIA” PARA ERRO DE PORTUGUÊS!

O povo quer educação de verdade!

O perigo das escolas cívico-militares e o projeto de silenciamento da nossa juventude.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política

Educação se faz com livro na mão e mente aberta, não com ordem de comando e erro de português no quadro negro. Precisamos parar de aceitar que a disciplina militar seja vendida como solução mágica para a segurança pública dentro das escolas. A solução é simples, mas exige coragem: investimento maciço na valorização dos professores, infraestrutura digna para as escolas civis e uma gestão democrática onde o aluno aprenda a pensar, e não apenas a obedecer.

O vídeo que circulou na última semana é de rasgar o peito de quem acredita na educação como libertação. Em aula inaugural em uma escola cívico-militar de São Paulo, um policial militar, exercendo a função de monitor, escreveu no quadro 'descançar' com 'ç' e 'continecia' sem o 'n'. De três palavras, duas estavam erradas de forma grotesca. É o retrato de um projeto que foca na casca, mas está podre por dentro. Enquanto o governador se ocupa em defender o indefensável, nossos filhos estão sendo expostos ao despreparo de quem deveria estar na rua combatendo o crime, não dentro de uma sala de aula tentando ensinar o que não sabe.

Essa obsessão pela militarização do ensino não tem nada a ver com nota no IDEB ou qualidade pedagógica. É sobre adestramento. Eles querem a juventude perfilada, de cabelo cortado na régua e uniforme impecável, batendo continência para o erro. É a estética da ordem escondendo o vazio do conteúdo. No Maranhão, estamos vendo escolas públicas civis serem deixadas de lado para alimentar esse modelo que prioriza o grito e o hino nacional em detrimento da criatividade e do conhecimento essencial para a vida.

A estratégia é clara: impedir que a juventude proteste. Quando você ensina uma criança que o valor máximo é a obediência cega a uma hierarquia rígida, você está matando o senso crítico dela. Um jovem que não questiona é o sonho de qualquer governo autoritário ou incompetente. Eles não querem cidadãos que entendam de política, economia ou direitos sociais; eles querem soldados passivos que não saibam reclamar quando o preço do feijão sobe ou quando a saúde pública entra em colapso.

O foco na padronização externa — o corte de cabelo, a saia no joelho, o silêncio absoluto — é uma cortina de fumaça para esconder a falta de investimentos reais na carreira dos professores civis. No nosso estado, temos profissionais da educação com mestrado e doutorado sendo escanteados para que monitores fardados ditem as regras. É um tapa na cara de quem dedicou a vida à pedagogia ver o conhecimento ser substituído pelo autoritarismo de quem nem o vernáculo básico domina.

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