O povo quer educação de verdade!
O perigo das escolas cívico-militares e o
projeto de silenciamento da nossa juventude.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política
Educação se faz com livro na mão e mente aberta, não com ordem de comando e erro de português no quadro negro. Precisamos parar de aceitar que a disciplina militar seja vendida como solução mágica para a segurança pública dentro das escolas. A solução é simples, mas exige coragem: investimento maciço na valorização dos professores, infraestrutura digna para as escolas civis e uma gestão democrática onde o aluno aprenda a pensar, e não apenas a obedecer.
O vídeo que
circulou na última semana é de rasgar o peito de quem acredita na educação como
libertação. Em aula inaugural em uma escola cívico-militar de São Paulo, um
policial militar, exercendo a função de monitor, escreveu no quadro 'descançar'
com 'ç' e 'continecia' sem o 'n'. De três palavras, duas estavam erradas de
forma grotesca. É o retrato de um projeto que foca na casca, mas está podre por
dentro. Enquanto o governador se ocupa em defender o indefensável, nossos
filhos estão sendo expostos ao despreparo de quem deveria estar na rua
combatendo o crime, não dentro de uma sala de aula tentando ensinar o que não
sabe.
Essa
obsessão pela militarização do ensino não tem nada a ver com nota no IDEB ou
qualidade pedagógica. É sobre adestramento. Eles querem a juventude perfilada,
de cabelo cortado na régua e uniforme impecável, batendo continência para o
erro. É a estética da ordem escondendo o vazio do conteúdo. No Maranhão,
estamos vendo escolas públicas civis serem deixadas de lado para alimentar esse
modelo que prioriza o grito e o hino nacional em detrimento da criatividade e
do conhecimento essencial para a vida.
A estratégia
é clara: impedir que a juventude proteste. Quando você ensina uma criança que o
valor máximo é a obediência cega a uma hierarquia rígida, você está matando o
senso crítico dela. Um jovem que não questiona é o sonho de qualquer governo
autoritário ou incompetente. Eles não querem cidadãos que entendam de política,
economia ou direitos sociais; eles querem soldados passivos que não saibam
reclamar quando o preço do feijão sobe ou quando a saúde pública entra em
colapso.
O foco na
padronização externa — o corte de cabelo, a saia no joelho, o silêncio absoluto
— é uma cortina de fumaça para esconder a falta de investimentos reais na
carreira dos professores civis. No nosso estado, temos profissionais da
educação com mestrado e doutorado sendo escanteados para que monitores fardados
ditem as regras. É um tapa na cara de quem dedicou a vida à pedagogia ver o
conhecimento ser substituído pelo autoritarismo de quem nem o vernáculo básico
domina.




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