quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O PESO DAS DECISÕES ECONÔMICAS DE ESTADO

Quem realmente manda no dinheiro público?
Analisando a fricção entre responsabilidade fiscal e pressões políticas no orçamento brasileiro.

Por: Henrique Alvarenga
Jornalista, analista político e colunista

Em última análise, a economia política exige uma maturidade institucional que transcenda ciclos eleitorais. Não existem soluções mágicas ou dinheiro que nasce do nada; existem escolhas e consequências. Compreender como essas engrenagens funcionam é o primeiro passo para exigir um Estado que entregue mais valor do que custa à sociedade.

A economia política não é uma ciência de laboratório, mas o resultado da fricção constante entre a teoria econômica e a necessidade de sobrevivência política. No Brasil, essa dinâmica ganha contornos específicos quando observamos como o Estado desenha suas prioridades. O que chamamos vulgarmente de "gestão" é, na verdade, um intrincado jogo de alocação de recursos escassos sob a pressão de grupos de interesse e mandatos eletivos.

O orçamento público brasileiro é refém de uma rigidez estrutural que limita a margem de manobra de qualquer governante. Cerca de 90% das despesas são obrigatórias, vinculadas a salários, previdência e mínimos constitucionais. Isso significa que a disputa política real se dá em uma fatia mínima do bolo, o que explica a intensidade das batalhas por emendas parlamentares. Quando a política decide gastar sem a contrapartida da eficiência ou da arrecadação sustentável, o mecanismo de ajuste é invariavelmente o aumento do custo da dívida e a inflação.

É preciso entender o papel do Congresso Nacional nesse desenho. O Legislativo brasileiro deixou de ser apenas um aprovador de peças orçamentárias para se tornar um gestor direto de recursos, através das emendas impositivas. Essa mudança altera o equilíbrio de poderes: o Executivo perde o controle sobre o timing e a direção do investimento público, enquanto o parlamentar foca em benefícios paroquiais. O resultado é uma fragmentação da política pública, onde o projeto nacional muitas vezes é sacrificado em favor do interesse localizado.

A gestão da dívida pública e a política de juros do Banco Central não ocorrem no vácuo. Elas são a resposta técnica à percepção de risco gerada pelas decisões políticas. Se o mercado — que nada mais é do que o conjunto de poupadores e investidores — percebe que o Estado não tem um plano de voo fiscal crível, ele exige prêmios maiores para emprestar dinheiro ao governo. Isso encarece o crédito para o consumo e para a indústria, criando um ciclo de estagnação que atinge, prioritariamente, os mais vulneráveis.

Quando tratamos de subsídios e renúncias fiscais, entramos no terreno mais árduo da economia política. Muitas vezes, políticas desenhadas como incentivos temporários tornam-se privilégios perpétuos devido ao lobby de setores organizados. Rever esses gastos exige um capital político que raramente os governos estão dispostos a gastar, optando pelo caminho mais fácil de manter o status quo, mesmo que isso comprometa o crescimento de longo prazo e a justiça tributária.

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