sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A PF INVESTIGA LULINHA, MAS A OPOSIÇÃO PREFERE O CIRCO E A FRAUDE


Entre fraudes aritméticas e o contraste ético no Alvorada, o teatro político tenta requentar velhas lendas para esconder a falta de projeto.

Por: Altair Inácio
Jornalista e Colunista

De Ferrari de ouro a dono da Friboi: a fábrica de fake news.
O espetáculo dantesco protagonizado na última sessão da CPMI do INSS não é apenas um caso de erro matemático, mas uma tentativa deliberada de transformar o Parlamento em um picadeiro de pós-verdades. Ver parlamentares trocando socos e empurrões por uma votação cuja aritmética básica foi ignorada — onde 14 votos contrários subitamente se transformaram em 7 no grito do presidente da sessão — revela o nível de desespero de uma oposição que prefere a fraude visual ao debate técnico. A tentativa de empurrar goela abaixo uma quebra de sigilo baseada em um contorcionismo de fatos é a prova viva de que, para alguns, o rito democrático é apenas um detalhe incômodo.

O mais irônico de toda essa balbúrdia é que o sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, já é passado. Autorizado pelo ministro André Mendonça — indicado, vale lembrar, pelo governo anterior — a pedido da Polícia Federal, o acesso aos dados bancários e fiscais já é uma realidade jurídica desde janeiro. Ou seja, o show de horrores na CPMI foi um teatro vazio, uma encenação para alimentar as bolhas de WhatsApp com o 'sangue' de um inimigo imaginário, enquanto as instituições sérias, como a PF, já conduzem o inquérito sem precisar de gritos ou infrações regimentais.

É preciso revisitar o folclore político brasileiro para entender o porquê de tanto barulho. Lulinha habita o imaginário da extrema-direita como uma mistura de Rei Midas e herdeiro de impérios fantásticos. Já foi dono da Friboi, proprietário de Ferraris de ouro e de um jato particular mais suntuoso que o do Batman, tudo no campo da ficção pura. A tática de 'jogar tudo no ventilador' na CPMI visa ressuscitar esses fantasmas, ignorando que o direito ao devido processo legal não é um privilégio, mas uma garantia constitucional. O mantra 'quem não deve não teme' é a muleta preferida do autoritarismo para atropelar o direito de defesa.

Enquanto a oposição se perde em socos e contagens fraudulentas, o contraste de posturas republicanas salta aos olhos. Lulinha não fugiu; colocou-se à disposição do STF para prestar esclarecimentos, exigindo apenas o óbvio: saber do que está sendo acusado. É um contraste gritante com a postura de clãs políticos que, diante da iminência de investigações sobre os seus, preferiram trocar o comando da Polícia Federal ou mobilizar o aparato estatal para blindar a prole. A diferença entre o privilégio e o direito reside, justamente, na submissão às regras do jogo, mesmo quando elas são duras.

A fala do presidente Lula encerra o debate com uma lucidez que falta aos seus detratores. Ao afirmar que 'se o filho estiver envolvido, pagará por isso', Lula restabelece a fronteira entre o afeto familiar e a ética pública. Diferente do antecessor, que tratava qualquer investigação contra seus filhos como uma perseguição pessoal e institucional, o atual mandatário sinaliza que ninguém está acima da lei. No fim das contas, a CPMI pode continuar seu circo, mas a verdade histórica e jurídica costuma ser alérgica a palhaçadas e fraudes de plenário.

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