O descompasso entre o discurso do 'Velho da Havan' e a realidade financeira que prova: o trabalhador é quem carrega o Brasil nas costas.
Por:
Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista
| O Brasil cresce quando o povo tem dinheiro no bolso. |
A
contradição salta aos olhos quando observamos que a margem líquida da empresa pode
chegar em 2026 a 25%, um patamar invejável para qualquer setor. Mais curioso
ainda é ver o empresário, ferrenho crítico da Rede Globo, investir R$ 35
milhões na emissora para expor sua marca durante a Copa do Mundo. Isso prova
que o pragmatismo do capital sempre fala mais alto que o barulho das redes
sociais e as ideologias de fachada.
Existe uma
estratégia clara em pintar o investimento social como o vilão das contas
públicas. Grandes empresários frequentemente utilizam o fantasma da quebra do
Estado para barrar avanços que distribuam melhor a renda ou garantam direitos.
Essa tática não é nova na nossa história; ela ecoa os mesmos argumentos usados
contra a abolição da escravidão e a criação do 13º salário, sempre prevendo o
fim da economia.
O debate
atual sobre a escala 6x1 revela a mesma face dessa resistência ao progresso
humano. Alega-se que a redução da jornada causará demissões em massa e
prejuízos insuportáveis, ignorando que o lucro exorbitante atual se baseia no
esgotamento da mão de obra. O país não quebra quando o trabalhador ganha tempo
para viver; o país cresce quando o consumo circula na base da pirâmide.
É preciso dar
nome aos bois: a riqueza acumulada no topo não surge do nada, ela é fruto
direto do suor de quem está no chão da loja. O discurso de que os grandes
empresários mantêm a máquina funcionando inverte a lógica da produção. Sem o
trabalhador que coloca a mão na massa e o consumidor que sustenta a demanda, o
capital de bilhões não passa de um número estático em uma planilha.
Frequentemente,
as críticas ácidas à gestão federal escondem preconceitos profundos contra o
Nordeste e as camadas populares. A narrativa de que o 'Brasil vai quebrar'
ignora que o desenvolvimento real acontece quando as pessoas têm dinheiro no
bolso para comprar comida e vestuário. O sucesso da própria Havan em 2025 é a
prova cabal de que a economia popular está girando, apesar do pessimismo
seletivo de seu dono.
A
comunicação política digital desses setores aposta na guerra de versões para
manter privilégios históricos. Eles vendem a ideia de que o patrão é o herói
solitário, enquanto o Estado e os direitos trabalhistas são os vilões. No entanto,
os balanços financeiros mostram que a estabilidade democrática e o mercado
interno forte são os verdadeiros motores que permitem faturamentos bilionários.
Para mudar
esse ciclo, a sociedade deve exigir que a produtividade se transforme em
qualidade de vida para todos. A solução passa por reconhecer que o lucro
recorde de poucos deve caminhar junto com a dignidade de muitos, combatendo
escalas de trabalho desumanas e valorizando quem realmente gera valor. O Brasil
só avançará de verdade quando pararmos de cair no blefe de quem lucra bilhões
enquanto prega a miséria alheia.




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