terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O LUCRO DA HAVAN PROVA QUEM CARREGA O BRASIL NAS COSTAS

O descompasso entre o discurso do 'Velho da Havan' e a realidade financeira que prova: o trabalhador é quem carrega o Brasil nas costas.

Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista

O Brasil cresce quando o povo tem dinheiro no bolso.
O discurso do medo é uma ferramenta poderosa na política, mas os números costumam ser implacáveis com as previsões apocalípticas. Luciano Hang, o velho da Havan, previu o colapso econômico caso a esquerda vencesse as últimas eleições, ameaçando inclusive deixar o país. Hoje, a realidade entrega um cenário oposto ao desastre anunciado: a rede varejista registra o maior lucro de sua história, atingindo a marca impressionante de R$ 3,4 bilhões em 2025.

A contradição salta aos olhos quando observamos que a margem líquida da empresa pode chegar em 2026 a 25%, um patamar invejável para qualquer setor. Mais curioso ainda é ver o empresário, ferrenho crítico da Rede Globo, investir R$ 35 milhões na emissora para expor sua marca durante a Copa do Mundo. Isso prova que o pragmatismo do capital sempre fala mais alto que o barulho das redes sociais e as ideologias de fachada.

Existe uma estratégia clara em pintar o investimento social como o vilão das contas públicas. Grandes empresários frequentemente utilizam o fantasma da quebra do Estado para barrar avanços que distribuam melhor a renda ou garantam direitos. Essa tática não é nova na nossa história; ela ecoa os mesmos argumentos usados contra a abolição da escravidão e a criação do 13º salário, sempre prevendo o fim da economia.

O debate atual sobre a escala 6x1 revela a mesma face dessa resistência ao progresso humano. Alega-se que a redução da jornada causará demissões em massa e prejuízos insuportáveis, ignorando que o lucro exorbitante atual se baseia no esgotamento da mão de obra. O país não quebra quando o trabalhador ganha tempo para viver; o país cresce quando o consumo circula na base da pirâmide.

É preciso dar nome aos bois: a riqueza acumulada no topo não surge do nada, ela é fruto direto do suor de quem está no chão da loja. O discurso de que os grandes empresários mantêm a máquina funcionando inverte a lógica da produção. Sem o trabalhador que coloca a mão na massa e o consumidor que sustenta a demanda, o capital de bilhões não passa de um número estático em uma planilha.

Frequentemente, as críticas ácidas à gestão federal escondem preconceitos profundos contra o Nordeste e as camadas populares. A narrativa de que o 'Brasil vai quebrar' ignora que o desenvolvimento real acontece quando as pessoas têm dinheiro no bolso para comprar comida e vestuário. O sucesso da própria Havan em 2025 é a prova cabal de que a economia popular está girando, apesar do pessimismo seletivo de seu dono.

A comunicação política digital desses setores aposta na guerra de versões para manter privilégios históricos. Eles vendem a ideia de que o patrão é o herói solitário, enquanto o Estado e os direitos trabalhistas são os vilões. No entanto, os balanços financeiros mostram que a estabilidade democrática e o mercado interno forte são os verdadeiros motores que permitem faturamentos bilionários.

Para mudar esse ciclo, a sociedade deve exigir que a produtividade se transforme em qualidade de vida para todos. A solução passa por reconhecer que o lucro recorde de poucos deve caminhar junto com a dignidade de muitos, combatendo escalas de trabalho desumanas e valorizando quem realmente gera valor. O Brasil só avançará de verdade quando pararmos de cair no blefe de quem lucra bilhões enquanto prega a miséria alheia.

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