quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

COMO A IMAGEM POLÍTICA DEFINE O DESTINO DE SÃO LUÍS

No tribunal das redes sociais, a verdade muitas vezes perde para a narrativa mais rápida e bem construída.

Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação e Colunista

Na política de São Luís, quem não comunica, o adversário explica.
O mundo mudou e a política ludovicense sente esse impacto diariamente. Hoje, a imagem de um gestor ou parlamentar não pertence mais apenas a ele, mas ao julgamento constante e implacável das redes sociais. No Maranhão, onde a política é um esporte de contato direto, a transição para o digital cria um campo de batalha onde a percepção se torna mais real do que os próprios fatos.

A crise de imagem surge quando o discurso oficial e a realidade das ruas entram em rota de colisão. Vemos isso em São Luís quando promessas de campanha enfrentam a dura barreira da execução prática. Quando o cidadão percebe o abismo entre o post no Instagram e o buraco na sua porta, a narrativa oficial começa a ruir e a confiança se perde.

Disputas narrativas não são apenas sobre quem está certo, mas sobre quem domina o tempo da resposta. No atual cenário político, o vácuo de informação é preenchido rapidamente por adversários ou pela indignação popular. Quem demora a se posicionar permite que a versão do outro se estabeleça como a verdade absoluta no imaginário coletivo.

A comunicação política digital em nossa capital ainda sofre com o amadorismo de quem acredita que apagar comentários resolve o problema. A censura digital é o combustível que alimenta novas crises. Uma gestão moderna precisa entender que a transparência é a única ferramenta capaz de desarmar ataques orquestrados e fake news que circulam nos grupos de família.

Observamos que muitas lideranças locais preferem o silêncio estratégico, acreditando que a poeira baixará sozinha. No entanto, o silêncio no meio de uma polêmica pública é interpretado como confissão ou arrogância. A guerra de versões exige presença, explicação didática e, acima de tudo, a coragem de admitir falhas antes que o erro se torne imperdoável.

As bolhas digitais segmentam o eleitorado e dificultam o diálogo sensato sobre os problemas da cidade. Cada grupo consome a narrativa que mais lhe agrada, transformando a política em um jogo de "nós contra eles". Esse fenômeno impede que o debate foque em soluções reais para o Maranhão, priorizando apenas o desgaste da imagem do oponente.

O cidadão precisa desenvolver um olhar crítico para não ser apenas massa de manobra nessas disputas. Identificar quando um político usa gatilhos emocionais ou botes digitais para desviar o foco de uma crise é essencial. A educação política aplicada ao cotidiano passa por entender que nem tudo que brilha no vídeo editado reflete a competência da gestão.

Para resolver esse ciclo de crises, a saída é o retorno à autenticidade e à consistência entre o que se fala e o que se faz. Políticos que investem em narrativas vazias terão vida curta na memória do eleitor. A solução prática é trocar o marketing de fachada pela prestação de contas em tempo real, transformando a crise em uma oportunidade de demonstrar compromisso com a verdade. 

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