quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A VERDADE DO IBGE E O BRASIL QUE TEIMA EM PROSPERAR

O Brasil 'quebrado' só existe no Zap.

Enquanto Gustavo Gaia flutua em universos paralelos de fake news, a economia real — e até o caixa da Havan — desmentem o apocalipse bolsonarista.

Jornalista e Colunista

Por: Altair Inácio

É fascinante observar a capacidade de certos personagens da direita histérica em criar ecossistemas informativos onde a gravidade não se aplica e a matemática é uma questão de opinião. O vídeo recente de Gustavo Gaia contra o IBGE não é apenas uma peça de desinformação; é um atestado de desespero. Ao sugerir que o instituto está 'forjando relatórios' sob a gestão de Marcio Pochmann, Gaia tenta ressuscitar o velho fantasma do 'Brasil quebrado', uma narrativa que hoje só sobrevive em grupos de WhatsApp alimentados por paranoia e má-fé.

A acusação de que o IBGE perdeu 90% de seus diretores por 'perceberem fraudes' soa como um roteiro de ficção científica de baixo orçamento. Na realidade, o que incomoda Gaia e seus pares não é a metodologia estatística, mas o fato de que os números se recusam a validar seus preconceitos ideológicos. Atacar o IBGE é o último recurso de quem não consegue explicar por que o Brasil liderou o crescimento do PIB entre os países do G20 no primeiro trimestre do ano passado, superando potências como a China e a Turquia.

Enquanto o submundo das redes sociais discute teorias conspiratórias, a classe média brasileira volta a respirar. Pela primeira vez desde 2015, mais da metade da população está na Classe C ou superior. O desemprego, aquele monstro que a oposição jurou que devoraria o país, atingiu o menor índice da série histórica no trimestre encerrado em outubro. São brasileiros com carteira assinada e renda recorde que, para a infelicidade dos profetas do caos, estão ocupados demais consumindo para prestar atenção em vídeos alarmistas.

A ironia mais deliciosa dessa conjuntura atende pelo nome de Luciano Hang. O empresário, outrora símbolo do 'patriotismo' anti-Lula que prometia o êxodo de investimentos, parece ter reencontrado seu espírito pragmático diante do lucro. Ao abrir novas lojas e planejar chegar a 25 mil colaboradores, o 'Véio da Havan' presta o maior serviço à verdade: ele prova, com o próprio bolso, que a economia está pujante. Se o Brasil estivesse realmente em colapso, Hang estaria fechando as portas, não inaugurando megaloja em Fortaleza.

No fim das contas, a estratégia de Gaia é a da terra arrasada: se a realidade é favorável ao governo, nega-se a realidade. Mas os investimentos bilionários na indústria automotiva e o aumento do poder de compra são fatos teimosos que não se apagam com filtros de Instagram. A política brasileira vive hoje o divórcio entre o país do zap e o país real. Sorte a nossa que, no mundo real, o PIB cresce, o emprego volta e o desespero de quem mente só confirma que o Brasil está no caminho certo.

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