| Carnaval gera emprego e renda para o povo. |
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política
Mais uma
vez, o espetáculo do falso moralismo entra em cena no Congresso Nacional. Às
vésperas da maior festa popular do planeta, o pastor e deputado Marco Feliciano
decidiu usar a tribuna para destilar preconceito contra o Carnaval. Chamou a
festa de 'bacanal a céu aberto', regada a drogas e nudez, ignorando solenemente
que o Carnaval é a alma da cultura brasileira e o sustento de milhões de
famílias. É a velha tática de quem não entende — ou finge não entender — a
história e o significado de uma manifestação que é resistência e identidade.
A verdade nua e crua é que o problema dessa gente não
é o 'pecado', é ver o pobre feliz, empoderado e ganhando seu pão com dignidade
e alegria. Se estivessem realmente preocupados com o país, estariam cobrando
fiscalização sobre cada centavo dessas emendas nebulosas em vez de perseguir
quem só quer pular o bloco. Qual será a próxima etapa? Fiscalizar a alegria
alheia enquanto o próprio cofre segue sem dono? Exigimos transparência total
nas emendas parlamentares e respeito à cultura popular. A verdadeira
imoralidade é a fome e a falta de contas abertas, não o batuque do tambor.
O que
realmente indigna não é a opinião pessoal do deputado, mas a hipocrisia que ela
carrega. Feliciano se diz preocupado com o 'dinheiro público' gasto na folia,
mas parece esquecer dos quase R$ 9 milhões de reais que recebeu em 'emendas
Pix'. Diferente dos editais culturais, que exigem prestação de contas rigorosa,
essas emendas caem direto na conta sem que ninguém saiba exatamente onde ou
como foram parar. Onde está a moralidade na falta de transparência com o
dinheiro do povo? Por que o confete incomoda mais do que o sigilo bancário de
quem vive de política?
Essa suposta
defesa da moral e dos bons costumes só serve para atingir o elo mais fraco da
corrente: o pobre. Quando o Estado investe no Carnaval, ele está investindo no
pequeno comerciante, na costureira de escola de samba, no montador de palco e
no turismo que movimenta bilhões. É economia real, na ponta. Mas para os
críticos de gabinete, o que vale é a 'moralidade' seletiva, aquela que fecha os
olhos para casos de abuso sexual em templos e para as rachadinhas que corroem
as câmaras municipais e federais por este país afora.
Precisamos dar
nome aos bois: esse ataque não é sobre religião, é sobre controle. É sobre
manter o povo sob o jugo do medo e da culpa, enquanto os privilégios da casta
política seguem intocados. Enquanto apontam o dedo para a passarela, escondem a
mão que assina cheques sem fundo ético. O Carnaval é o momento em que a
periferia ocupa o centro, e isso apavora quem acredita que a rua deve ser lugar
apenas de ordem e obediência cega.




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