sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O ATAQUE DESCONTROLADO DO PASTOR FELICIANO AO CARNAVAL

Carnaval gera emprego e renda para o povo.
Enquanto demoniza a festa popular, o deputado se cala sobre os milhões em emendas Pix sem transparência que irrigam seu mandato.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política

Mais uma vez, o espetáculo do falso moralismo entra em cena no Congresso Nacional. Às vésperas da maior festa popular do planeta, o pastor e deputado Marco Feliciano decidiu usar a tribuna para destilar preconceito contra o Carnaval. Chamou a festa de 'bacanal a céu aberto', regada a drogas e nudez, ignorando solenemente que o Carnaval é a alma da cultura brasileira e o sustento de milhões de famílias. É a velha tática de quem não entende — ou finge não entender — a história e o significado de uma manifestação que é resistência e identidade.

A verdade nua e crua é que o problema dessa gente não é o 'pecado', é ver o pobre feliz, empoderado e ganhando seu pão com dignidade e alegria. Se estivessem realmente preocupados com o país, estariam cobrando fiscalização sobre cada centavo dessas emendas nebulosas em vez de perseguir quem só quer pular o bloco. Qual será a próxima etapa? Fiscalizar a alegria alheia enquanto o próprio cofre segue sem dono? Exigimos transparência total nas emendas parlamentares e respeito à cultura popular. A verdadeira imoralidade é a fome e a falta de contas abertas, não o batuque do tambor.

O que realmente indigna não é a opinião pessoal do deputado, mas a hipocrisia que ela carrega. Feliciano se diz preocupado com o 'dinheiro público' gasto na folia, mas parece esquecer dos quase R$ 9 milhões de reais que recebeu em 'emendas Pix'. Diferente dos editais culturais, que exigem prestação de contas rigorosa, essas emendas caem direto na conta sem que ninguém saiba exatamente onde ou como foram parar. Onde está a moralidade na falta de transparência com o dinheiro do povo? Por que o confete incomoda mais do que o sigilo bancário de quem vive de política?

Essa suposta defesa da moral e dos bons costumes só serve para atingir o elo mais fraco da corrente: o pobre. Quando o Estado investe no Carnaval, ele está investindo no pequeno comerciante, na costureira de escola de samba, no montador de palco e no turismo que movimenta bilhões. É economia real, na ponta. Mas para os críticos de gabinete, o que vale é a 'moralidade' seletiva, aquela que fecha os olhos para casos de abuso sexual em templos e para as rachadinhas que corroem as câmaras municipais e federais por este país afora.

Precisamos dar nome aos bois: esse ataque não é sobre religião, é sobre controle. É sobre manter o povo sob o jugo do medo e da culpa, enquanto os privilégios da casta política seguem intocados. Enquanto apontam o dedo para a passarela, escondem a mão que assina cheques sem fundo ético. O Carnaval é o momento em que a periferia ocupa o centro, e isso apavora quem acredita que a rua deve ser lugar apenas de ordem e obediência cega.

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