| O Brasil só 'quebra' quando o trabalhador ganha direito. |
Por:
Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política
A história do Brasil é um disco riscado que toca sempre a mesma música toda vez
que alguém ousa falar em dignidade para quem carrega este país nas costas.
Agora, a bola da vez é o fim da escala 6x1. O que ouvimos dos setores da elite
e de seus porta-vozes é o velho apocalipse anunciado: dizem que vai gerar
desemprego, que a economia vai ruir e que o Brasil simplesmente não aguenta.
Engraçado que esse 'Brasil' que eles defendem só parece ser frágil quando o
assunto é dar um respiro para o trabalhador. Quando o assunto é isenção fiscal
para bilionário ou lucro recorde de banco, a economia é sólida como uma rocha.
Precisamos parar de aceitar o 'fim do mundo' como argumento
contra a justiça social. A solução é simples e urgente: o Congresso precisa
pautar e aprovar a redução da jornada sem redução de salário, acompanhada de
políticas de incentivo para pequenos empreendedores que realmente precisam de
apoio. Não podemos permitir que o lucro de alguns continue sendo alimentado
pelo esgotamento de milhões. Eu pergunto a você: até quando vamos aceitar que a
nossa dignidade seja tratada como uma ameaça ao PIB?
Se a gente
olhar pelo retrovisor, a cara de pau é a mesma há séculos. Em 1888, os donos de
terras gritavam que o fim da escravidão seria o fim do Brasil. Não foi. Em
1940, quando Getúlio instituiu o salário mínimo, juraram que as empresas iriam
fechar as portas em massa. Em 1962, o 13º salário era tratado como o 'golpe
final' na produção nacional. Sabe o que aconteceu em todas essas vezes? O país
não quebrou. O que aconteceu foi que o povo passou a comer melhor, a consumir
mais e a ter um pingo de decência na vida. O lucro deles continuou lá, só que
agora dividido com quem realmente produz a riqueza.
Essa escala
6x1 é uma herança maldita de uma mentalidade escravocrata que acha que o
trabalhador é uma peça de reposição, e não um ser humano com família, saúde
mental e direito ao lazer. No Maranhão e em todo o Brasil, o que vemos são pais
e mães de família que saem de casa no escuro e voltam no escuro, vivendo um
ciclo de exaustão que adoece e mata. Dizer que o fim dessa escala vai causar
desemprego é usar o medo para manter o controle. É o terrorismo psicológico de
quem prefere ver o povo exausto do que ver o lucro diminuir um milímetro para
contratar mais gente e girar a economia de forma justa.
O que
realmente quebra um país não são os direitos trabalhistas; é a desigualdade
abismal que concentra tudo na mão de poucos enquanto a maioria sobrevive de
migalhas. Países desenvolvidos já entenderam que menos horas de trabalho
significam mais produtividade, menos gastos com saúde pública e uma economia
mais vibrante, porque gente descansada também consome e se qualifica. Mas aqui,
a elite prefere o modelo do cansaço, porque o trabalhador exausto não tem tempo
de pensar, de se organizar e de cobrar o que é seu por direito.




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