| A fé em São Luís virou moeda de troca eleitoral. |
Por: Altair Inácio
Jornalista e Colunista
No fim das contas, o que resta é um teatro de sombras. Enquanto os 'patriotas' de ocasião se digladiam em redes sociais, a cidade aguarda por soluções reais para problemas reais. A Ilha Magnética não precisa de messias de plástico, mas de uma política que respeite sua história e sua gente, sem o verniz hipócrita de quem usa a bandeira para esconder as próprias falhas.
São Luís, a
nossa 'Atenas Brasileira', sempre teve um flerte peculiar com o poder central,
mas o que assistimos hoje é uma metamorfose digna de nota. O bolsonarismo, em
terras ludovicenses, não se apresenta como uma doutrina rígida, mas como um
figurino de aluguel, usado por quem deseja esconder as marcas de velhas
alianças sob o manto de um patriotismo de última hora.
É fascinante
observar como figuras que ontem juravam lealdade a projetos progressistas hoje
descobrem, subitamente, uma vocação inabalável para a pauta de costumes. O
palanque na Ilha tornou-se um laboratório de contradições: defende-se a
'família' enquanto se negligencia as políticas básicas de assistência social
que sustentam a dignidade dessas mesmas famílias nos bairros mais esquecidos da
capital.
Do mesmo modo,
a instrumentalização da fé, por aqui, atingiu níveis de refinamento
preocupantes. O púlpito, antes lugar de acolhimento e reflexão ética, foi
sequestrado por um pragmatismo eleitoral que vende o medo do 'fantasma
comunista' para colher votos de quem mal consegue pagar a conta de luz. É a
moralidade seletiva servida em pratos de ouro para quem tem fome de esperança.
Nos
bastidores, o bolsonarismo de São Luís é alimentado por uma elite que, embora
se diga 'anti-sistema', nunca abriu mão das benesses estatais. O discurso
contra a 'velha política' é proferido por herdeiros de sobrenomes que dominam
as estruturas de poder maranhenses há décadas. A ironia é tão densa que quase
se pode tocá-la ao caminhar pelas ruas do Centro Histórico.




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