sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

DA CLOROQUINA À CURA: O RESGATE DA CIÊNCIA QUE FAZ GENTE VOLTAR A ANDAR

Enquanto o Brasil enterrava patentes por falta de verba no passado, hoje a polilaminina de Tatiana Sampaio devolve a esperança a tetraplégicos.

Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política

Dra. Tatiana Sampaio faz tetraplégicos voltarem a andar.
Precisamos entender de uma vez por todas que investir em pesquisa é a única forma de o Brasil deixar de ser o 'quintal' do mundo. Não podemos mais permitir que cortes orçamentários joguem no lixo décadas de trabalho e patentes valiosas. O caminho agora é transformar o apoio à pesquisa em uma política de Estado permanente, blindada de qualquer governo passageiro que prefira a mentira à verdade do microscópio.

A gente passou quatro anos ouvindo que vacina ia transformar brasileiro em jacaré e que o remédio pra vírus era cloroquina. Foi um tempo de trevas, onde a ignorância sentava na cadeira mais alta da República e a ciência era tratada como inimiga. Mas a verdade é teimosa e a inteligência brasileira é maior do que qualquer negacionismo de cercadinho. O que estamos vendo agora com a Dra. Tatiana Sampaio, da UFRJ, é a prova viva de que o Brasil tem cérebro, tem competência e, acima de tudo, tem dignidade quando o Estado decide não atrapalhar.

A Dra. Tatiana dedicou 25 anos de sua vida estudando a polilaminina, uma proteína que está fazendo o impossível: ajudando pessoas tetraplégicas a recuperarem movimentos e voltarem a andar. Isso não é milagre de internet, é estudo sério, é suor dentro de laboratório público. Mas o rastro de destruição deixado pelos governos passados é profundo. Perdemos a patente internacional dessa descoberta lá atrás, no governo Temer, porque não houve dinheiro para pagar as taxas. Um crime contra a soberania nacional cometido em nome de um teto de gastos que só serviu para asfixiar o conhecimento.

É revoltante ver que a Dra. Tatiana não foi eleita a mulher mais influente do mundo pelas grandes revistas. Enquanto o mundo aplaude celebridades efêmeras e bilionários que fazem foguetes de brinquedo, uma mulher brasileira está devolvendo a dignidade de caminhar a quem o destino tinha tirado. A influência real não está no número de seguidores, mas no impacto direto na vida de quem sofre. Tatiana é gigante e o silêncio da grande mídia internacional sobre sua importância é um tapa na cara da ciência feita no Sul Global.

A boa notícia é que o vento mudou. O encontro da cientista com o presidente Lula não foi apenas para foto; foi para destravar a burocracia. O compromisso de agilizar os processos na Anvisa para que esse medicamento chegue logo aos hospitais mostra que a ciência voltou a ser prioridade. Ciência não tem ideologia, não é de esquerda nem de direita. Mas a política é que decide se o cientista vai ter verba para pesquisar ou se vai ter que vender o almoço para pagar o reagente do laboratório.

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