Enquanto o Brasil enterrava patentes por falta de verba no passado, hoje a polilaminina de Tatiana Sampaio devolve a esperança a tetraplégicos.
Por: Marília Azevêdo
Jornalista e Comentarista Política
| Dra. Tatiana Sampaio faz tetraplégicos voltarem a andar. |
A gente
passou quatro anos ouvindo que vacina ia transformar brasileiro em jacaré e que
o remédio pra vírus era cloroquina. Foi um tempo de trevas, onde a ignorância
sentava na cadeira mais alta da República e a ciência era tratada como inimiga.
Mas a verdade é teimosa e a inteligência brasileira é maior do que qualquer
negacionismo de cercadinho. O que estamos vendo agora com a Dra. Tatiana
Sampaio, da UFRJ, é a prova viva de que o Brasil tem cérebro, tem competência
e, acima de tudo, tem dignidade quando o Estado decide não atrapalhar.
A Dra.
Tatiana dedicou 25 anos de sua vida estudando a polilaminina, uma proteína que
está fazendo o impossível: ajudando pessoas tetraplégicas a recuperarem
movimentos e voltarem a andar. Isso não é milagre de internet, é estudo sério,
é suor dentro de laboratório público. Mas o rastro de destruição deixado pelos
governos passados é profundo. Perdemos a patente internacional dessa descoberta
lá atrás, no governo Temer, porque não houve dinheiro para pagar as taxas. Um
crime contra a soberania nacional cometido em nome de um teto de gastos que só
serviu para asfixiar o conhecimento.
É revoltante
ver que a Dra. Tatiana não foi eleita a mulher mais influente do mundo pelas
grandes revistas. Enquanto o mundo aplaude celebridades efêmeras e bilionários
que fazem foguetes de brinquedo, uma mulher brasileira está devolvendo a
dignidade de caminhar a quem o destino tinha tirado. A influência real não está
no número de seguidores, mas no impacto direto na vida de quem sofre. Tatiana é
gigante e o silêncio da grande mídia internacional sobre sua importância é um
tapa na cara da ciência feita no Sul Global.
A boa
notícia é que o vento mudou. O encontro da cientista com o presidente Lula não
foi apenas para foto; foi para destravar a burocracia. O compromisso de
agilizar os processos na Anvisa para que esse medicamento chegue logo aos
hospitais mostra que a ciência voltou a ser prioridade. Ciência não tem
ideologia, não é de esquerda nem de direita. Mas a política é que decide se o
cientista vai ter verba para pesquisar ou se vai ter que vender o almoço para
pagar o reagente do laboratório.




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