quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

PR. FELICIANO CRITICA VERBA PARA CARNAVAL, MAS FALTA TRANSPARÊNCIA DAS 'EMENDAS PIX'

O problema do político não é o Carnaval, é ver o povo feliz.
Por que a crítica ao Carnaval esconde uma estratégia de poder e falta de transparência parlamentar?

Por: Emerson Marinho
Bacharel em Comunicação, radialista e Colunista

O deputado Marco Feliciano sobe à tribuna para disparar contra o Carnaval, descrevendo a maior festa popular do país como um "bacanal" financiado pelo povo. Ele ignora deliberadamente a história e a alma da cultura brasileira para alimentar uma guerra ideológica constante. Esse tipo de discurso mira o comportamento alheio para desviar o foco de questões muito mais graves que acontecem nos corredores de Brasília.

A moralidade de conveniência se choca com a realidade financeira do próprio parlamentar de forma escandalosa. Enquanto condena o gasto público na folia, o pastor ostenta o recebimento de quase R$ 9 milhões em emendas Pix, aquelas que caem nas prefeituras sem fiscalização clara. É a velha tática de apontar o pecado do vizinho para esconder o cofre aberto de sua própria gestão política.

O Carnaval movimenta bilhões na economia nacional e garante o pão de cada dia para milhares de trabalhadores invisíveis. São costureiras, artesãos, músicos e vendedores ambulantes que encontram na festa a oportunidade de fechar as contas do mês. Criticar o investimento na cultura é, na prática, boicotar o sustento das famílias mais pobres que dependem do turismo e do fluxo financeiro dessa época.

Esse moralismo seletivo funciona como uma ferramenta de poder para condenar quem está na base da pirâmide social. Os mesmos que gritam contra a "nudez" da avenida calam-se diante das rachadinhas e das cifras vultuosas que circulam em contas obscuras de políticos. A verdade é que a alegria do povo incomoda aqueles que preferem o controle social por meio do medo e do julgamento religioso.

A herança maldita da política econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes ainda trava o desenvolvimento do país hoje. O projeto de privatização predatória e o desmonte dos serviços públicos deixaram cicatrizes profundas na nossa estrutura social. Até mesmo antigos aliados, como o pastor Otoni de Paula, admitem agora o desastre que foi aquela gestão, revelando os absurdos cometidos contra o interesse público.

O exemplo da telefonia mostra que a privatização só funciona quando gera concorrência real e benefícios diretos ao consumidor final. No entanto, o que vimos nos últimos anos foi uma tentativa de entregar o patrimônio nacional a grupos que buscam apenas o lucro imediato. O empresário não tem compromisso com o bem-estar do povo, ele foca no dividendo, deixando a conta do sucateamento para o cidadão.

A narrativa de ódio contra o Carnaval serve para esconder a incapacidade de muitos líderes em propor soluções reais para o cotidiano. Eles utilizam a pauta de costumes para manter sua base engajada, enquanto operam nos bastidores o sistema de emendas que drena o Tesouro Nacional. O debate público fica refém de uma falsa disputa de valores, enquanto a transparência é jogada para debaixo do tapete.

O Brasil precisa de menos julgamentos morais e de mais fiscalização rigorosa sobre o dinheiro que sai de Brasília. A solução definitiva para esse conflito é a exigência de transparência total em cada centavo de emenda parlamentar, equiparando a cobrança feita à cultura àquela que deve ser feita aos políticos. Só assim deixaremos de discutir o brilho da passarela para focar na limpeza da nossa representação política.

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